Carros-conceito fascinam, mas podem ficar só no papel
Luciana Peixoto
Especial para a Folha
Sucessos absolutos de público em qualquer salão de automóveis, os chamados carros-conceito despertam na maioria dos visitantes uma só pergunta: quando estará disponível no mercado? Num verdadeiro show de tecnologia, que parece misturar a realidade com as mais mirabolantes histórias futuristas, carros de plástico, elétricos e desmontáveis parecem não passar de verdadeiras alucinações de cientistas malucos.
Segundo João Ricardo Lafraia, professor de Veículos Automotores do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Paraná, por mais mirabolante que pareça, o carro-conceito, um protótipo contruído na proporção de 1 x 1, é a materialização de um projeto que tem como ponto de partida os desejos latentes do próprio público.
No caso de automóveis, o projeto é algo mais complicado porque o técnico não terá apenas que traduzir os desejos tecnológicos do público, mas, sobretudo, suas expectativas psicológicas, explica. Por isso, a confecção de um carro conceito de forma alguma é o anúncio de que o veículo deverá chegar ao mercado.
De acordo com o professor, a distância entre a confecção de um carro-conceito e a sua produção em série depende não apenas da aceitação do público como também do contexto social e cultural. Por exemplo, o carro elétrico já provou ser viável, mas será que as pessoas estão dispostas a perder em desempenho para ganhar em ecologia? Por isso, hoje, parece uma proposta mirabolante, que daqui algum tempo pode ser sucesso de público, afirma.





