Curitiba - Crianças se sentem fascinadas ao ver, à sua frente, um Ford 29, um Oldsmobile 51 ou um Chevrolet ano 1934, até então conhecidos apenas por filmes de TV e réplicas em miniatura. A geração dos anos 1960 e 1970, por sua vez, tem a sensação de ter entrado no túnel do tempo. Ao invés de Nissans, Renaults e outras mil e uma marcas que frequentam as ruas do País, de repente o que se vê são modelos que povoaram sua infância, como Opala, Maverick, Kombi, Fusca, DKW, Gordini, Corcel, enfim, nomes que marcaram uma época, na qual a variedade de modelos era bem mais limitada do que as ofertadas nos dias de hoje.
É esse o universo de duas lojas de Curitiba, ambas especializadas na venda de carros antigos. ''De seis a 66 anos, o carro antigo fascina todo mundo'', resume Luiz Augusto Ferreira, gerente da Autos Antigos, existente há dois anos e situada no centro da cidade. Os pequenos, conta, começam com coleções de carros em miniatura e, no sonho de um dia ter sua própria raridade, muitos levam os pais até a loja. ''Mas por enquanto eles sonham em escala'', brinca.
Na maioria das vezes, no entanto, o sonho não sai do imaginário. Afinal, o preço de um exemplar antigo, normalmente superconservado e com poucos exemplares pelas ruas, torna-o proibitivo. O Fusca é o carro mais barato. Pode sair a partir de R$ 7 mil, no caso do famoso ''Zé do Caixão'' (fusca quatro portas). Já o DKW, também fabricado pela Volkswagen, custa em média R$ 20 mil, assim como o Opala, que em 1968 foi o primeiro carro a ser produzido pela General Motors do Brasil.
Isso para falar apenas dos nacionais. Carros importados e fabricados nas décadas de 1920, 1930, dificilmente saem por menos de R$ 100 mil. ''O preço é muito variável. Depende do modelo, estado de manutenção, da raridade e da relação oferta e procura'', explica Ferreira. Entre os carros que têm em sua loja, hoje, o Fusca ano 1970 é o mais barato (R$ 10 mil). Já o raríssimo americano Hudson de 1951 custa R$ 150 mil.
Segundo Daniel Benevides do Rosário, proprietário da Brasil Sul Veículos, também existente há dois anos e localizada no bairro Seminário, outros que normalmente estão entre os mais caros são os modelos do Ford Farlaine e do americano Mercury.
Na hora da compra, outro fator que faz muitos clientes repensarem seu sonho de ter um carro antigo é o custo com manutenção. Os jovens, por exemplo, têm predileção por carros como o Opala, Maverick, Dodge, que possuem motores mais potentes. ''Mas eles não têm dinheiro e os pais sempre preferem comprar um carro seminovo para o filho'', afirma Benevides, ressaltando que um dos maiores problemas é o alto consumo de combustível. Um carro desses faz apenas quatro a cinco quilômetros com um litro de gasolina.
''Nosso cliente é de classe média-alta, na faixa etária de 30 a 50 anos. Ou seja, ele já está estabilizado financeiramente. Muitas vezes quer matar saudades de um carro que o pai teve, o avô tinha, ou que ele já teve na juventude'', resume Ferreira. São pessoas que não usam o carro antigo para o dia-a-dia e por isso não se importam com o alto consumo. ''Ele vai em algum evento, sai em um domingo de sol, participa das reuniões de clubes de carros'', completa Benevides. É comum, ainda, que o comprador transforme-se em colecionador, adquirindo outros modelos.
Os carros mais procurados atualmente na Brasil Sul são os nacionais: Gordini, Karmannghia, Corcel, Kombi, Maverick, Dodge, Galaxie e Opala. Ferreira ressalta, no entanto, alguns detalhes importantes na hora da compra: Opala antigo tem que ser no máximo ano 1979. ''O 80 já tem farol retangular.'' Chevette deve ser até o ano de 1977, conhecido pela sua forma como ''tubarão''.
Entre os clássicos, a Autos Antigos tem, hoje, algumas raridades. É o caso do SP 2-1974, um Mercury 46, MP Lafer e o Willys Interlagos, fabricado em 1964, primeiro esportivo brasileiro com carroceria em fibra de vidro, e do qual foram fabricados apenas 822 unidades.

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