Carros a gás vão rodar em Curitiba no início de abril
A era do gás como combustível de veículo está prestes a começar em Curitiba. Na primeira semana de abril as quatro primeiras bombas de gás estarão disponibilizando o produto num posto localizado no centro da cidade. O GNV (Gás Natural Veicular) chega à capital paranaense com carimbo de sucesso em cidades como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e São Paulo. Mas o consumidor deve estar informado para não investir dinheio à toa e para não comprometer a sua segurança.
Por enquanto, o que passa na cabeça dos interessados em converter o carro para gás são dúvidas. Como saber se vale a pena fazer a conversão? Haverá filas para abastecimento, como em São Paulo? É seguro ter o gás como combustível?. Que tipo de carro pode andar com gás?
O GNV, que vem da Bolívia por gasoduto, pode ser usado em praticamente todos os carros movidos a gasolina e álcool. Carros a diesel ainda não são convertidos. O chamariz principal é a economia que pode chegar a 70% em relação a gasolina.
Um cilindro do GNV, que dá autonomia de até 230 km, é cheio com R$ 14,00, valor que representa oito litros de gasolina, que é igual a 80 km rodados. Por isso, vai valer mais a pena para quem anda pelo menos 150 quilômetros por dia, o que atinge frotistas e taxistas principalmente, explica Antônio Fernando Krempel, presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), responsável pela distribuição do produto para os postos. Assim, quem investir de R$ 2,6 mil, preço médio da conversão, pode ter o investimento de volta em três ou quatro meses.
Segundo ele, ainda não se sabe como os curitibanos, sempre desconfiados, irão reagir em relação à novidade, mas a expectativa é muito boa dada as vantagens do produto, que é também menos poluente e ocasiona menos desgastes em algumas peças do veículo, como velas e filtros. Curitiba deverá receber bem o gás. Até o final do ano deveremos ter de dez a 15 postos oferecendo o GNV, o que eliminará possibilidade de filas, afirma Krempel, ressaltando que no interior do Estado o GNV deverá chegar em 2003.
O consumidor pagará cerca de R$ 0,78 por cada m3 de GNV. O preço deverá ficar perto disso, prevê Manfred Schmidt, dono do Posto Chú, pioneiro em Curitiba e na Região Sul em GNV, que investiu, junto com a Ipiranga, cerca de R$ 700 mil reais para oferecer o gás.
Devido ao consumidor um tanto quanto limitado, o mercado de gás não ameaça outros combustíveis. De acordo com o gerente de vendas da Ipiranga em Curitiba, Otaccilio Siqueira, a expectativa é que em dez anos o gás se consolide em Curitiba com 10% do mercado, como em outras cidades.
Para os taxistas, a Caixa Econômica Federal disponibiliza financiamento com juros mais acessíveis na compra do kit. Para os clientes em geral há financiamentos por outros bancos, explica Dante Cordeiro, sócio da Injetgás, empresa homologada pelo Inmetro para fazer a conversão.
O kit funciona da seguinte maneira. O gás do cilindro, colocado no porta-mala ou na caçamba do veículo, passa por um tubo de aço e chega ao redutor, onde tem a pressão diminuída. Dali vai para o mesclador, que mescla o ar com o gás e distribui para o motor. Mesmo com o gás, o veículo continua funcionando com alcool ou gasolina.





