Carro tunado, a paixão proibida
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sábado, 05 de junho de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Quem gosta de carro não tem motivos ou razões. Simplesmente gosta. A prova disso é que alguns chegam a gastar uma fortuna colocando som e outros investem em sistemas de suspensão, turbos nos motores ou pinturas personalizadas mesmo sem ter retorno financeiro na hora de vender ou trocar. O que acaba compensando é a diversão, a paixão pelos veículos.
Jefferson Roberto Soares da Silva é proprietário de uma loja de escapamentos. Há sete anos gosta de ''fuçar'' nos seus carros, deixando-os de acordo com sua personalidade, atividade popularmente conhecida como tunagem ou tunning. Atualmente ele possui um Mazda MX3 1.6, que chama atenção pelo sistema de portas, que ao invés de abrir para as laterais, como os modelos encontrados pelas ruas, ela ''abre para cima''.
''É um modelo chamado 'Lambo Door'. Uma porta derivada do Lamborghini'', explicou ele, que já teve um outro Mazda tunado, que achava ''muito parecido com uma Ferrari''. Na última quinta-feira, ele participou do 1º Londrina Car Show, na Chácara Lima, no bairro Limoeiro (Zona Rural), que reuniu cerca de 500 amantes de carros vindos de Maringá, Rolândia, Arapongas e outras cidades da região.
Na ponta do lápis, Silva calcula que o valor gasto na tunagem do seu Mazda beira os R$ 90 mil. Os acessórios mais caros são o sistema de som e a pintura, que custaram cerca de R$ 8 mil cada. As portas saíram por R$ 3 mil e a suspensão por R$ 6 mil.
Quando perguntado sobre a possibilidade de conseguir reaver o investimento na hora de vender, Silva é taxativo: ''Nunca. Isso é só por paixão. Não dá para conseguir retorno'', resumiu completando que ainda pretende gastar mais R$ 20 mil para trocar para-choques, lanternas e fazer uma nova pintura. ''Mas como ele (o carro) já foi várias vezes campeão brasileiro na categoria tunning, o esforço compensa''.
O som do Mazda do microempresário é forte, mas chega a ser insignificante - sem exageros - perto da potente parede de som do colega Paulo Edson de Vecchi, que é especialista em deixar os carros os mais barulhentos possíveis. ''São mais de 30 mil watts de potência'', contou ele à reportagem perto dos 1 mil watts do Mazda.
''Não é difícil encontrar por aí carros com sistema de som que valem mais que o próprio carro. Como a Força Verde (Polícia Ambiental) não deixa fazer muito barulho pelas ruas, o jeito é participar dos encontros'', afirmou ele.
Durante o evento, Vecchi concorreu com outros colegas pelo troféu do campeonato de som automotivo. A medição é feita pelo sistema RTA (Real Time Analyzer), que compara a pressão sonora com o valor em decibéis. Ele explica que a potência de cada ''parede de som'' varia entre 130 e 150 decibéis. Os amplificadores de som são as peças mais caras e custam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.
Para Vecchi, tunagem é um estilo de personalização de carros onde o proprietário coloca ''um pouco de si'' no veículo. Ele explica que depois de fazer qualquer alteração é obrigatório passar por uma vistoria no Detran. ''Infelizmente existem coisas que eles (Detran) não liberam. Carros muito rebaixados e com suspensão a ar, por exemplo, não passam. Antigamente carros turbinados passavam, mas hoje em dia está mais difícil. É ruim para quem gosta e trabalha na área. Dá medo de gastar e perder o carro em blitzes'', observou.


