A compra de um carro geralmente está ligada à liberdade, comodidade, conforto e até status. Para algumas pessoas, no entanto, o carro é mais do que isso. É também meio de se ganhar a vida. Vendedores de caldo de cana, cachorro quente, churros, motoristas de táxi, de transporte escolar, vendedores autônomos etc. que o digam. Para eles, um dia sem o carro ‘‘ganha-pão’’ pode representar problemas no orçamento no final do mês.
Geraldo Linhares Mariano, motorista autônomo de transporte escolar há 17 anos, explica que, para quem for entrar nesse ramo, é necessário ter um carro reserva que possa quebrar o galho em qualquer eventualidade. ‘‘É ideal ter um carro substituto. Quem trabalha com transporte de criança não pode deixar a mãe e o pai na mão, porque eles confiam na gente.’’
Saber lidar com criança é outro ponto importante para quem trabalha com transporte escolar. ‘‘Depois de tanto tempo convivendo com eles, a gente aprende só na maneira de olhar o que eles estão pensando em fazer’’.
Mariano diz ainda que não dá para viver só com o transporte escolar e que é necessário ter outra atividade. ‘‘É um negócio instável. Não tem como garantir que aquela criança vai ficar muito tempo com você. Porque ele pode mudar de casa, o pai perder o emprego e não poder pagar mais.’’
Mas mesmo assim, Mariano, que roda 130 quilômetros por dia, diz que gosta do que faz. ‘‘Quando a gente trabalha no que gosta, não sente o tempo passar e não se cansa nem com o trânsito.’’
Outra opção para quem quer ganhar dinheiro com o carro é vender caldo de cana. Edvaldo Oriles Setim trabalha com isso há seis anos.
A carretinha que fica parada na Marechal Floriano em Curitiba garante uma renda a mais ao aposentado.
Setim, que estaciona o carro às 9h e só sai dali às 18h, diz que no inverno o movimento cai e que nessa época o dinheiro da aposentadoria ajuda a manter a família. ‘‘O ponto onde estou é fraco. Mas quem está em um lugar bom, com bastante movimentação, vive só com o dinheiro do caldo’’, afirma. Uma das vantagens do negócio de Setim é poder usar o carro do filho quando o seu quebra. ‘‘É só desengatar a carretinha. Não preciso ficar sem trabalhar.’’
A empresa Studio R&V Mensagens, localizada em Curitiba ganha dinheiro usando carro como mensageiro ambulante. A idéia do negócio é supreender a pessoa com uma mensagem ao vivo, feita pela própria dona da empresa, dentro de um carro super colorido.
Vanessa Silveira, a dona do ‘‘Happy Car’’, diz que o carro é o ganha-pão, mas que a idéia surgiu porque ela já tinha uma empresa de tele-mensagens.‘‘O carro acrescentou ainda mais valor ao meu negócio.’’
No entanto, se o Happy Car quebrar, Vanessa fica sem trabalho. ‘‘Não tenho carro substituto’’, afirma.
Há 16 anos José Luiz Dallagrana trocou um escritório de administração por um táxi.‘‘Estava me sentindo muito fechado, trancado’’.
Hoje Dallagrana mantém toda a família com o que ganha como taxista e não está arrependido da escolha. ‘‘Só trocaria a minha profissão se fosse para ser político’’, brinca.
Mesmo gostando do trabalho, que lhe permite estar em vários lugares em um só dia e conhecer muita gente, o taxista conta que a profissão é cansativa. ‘‘Eu jogo bola duas vezes por semana para aliviar o estresse’’, lembra.
Das 7h30, horário em que ele começa, até as 22h, quando vai para casa, Dallagrana roda quase 150 km e só se preocupa com a violência ‘‘Já presenciei muitos colegas sendo assaltados.’’
Uma outra maneira de ganhar a vida com o carro é sendo vendedor autônomo. A profissão exige um carro com bom espaço para levar o mostrador ou a própria mercadoria.
V.L.C, que prefere não se identificar, tem um currículo de vendas que vai de sapato até camisa, e como conhecedor do assunto, garante que vendedor que ficar sem carro perde o dia. ‘‘Nós precisamos honrar o horário marcado e levar a mercadoria, por isso, depender de táxi ou ônibus é impossível.’’

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