Depois dos carros bicombustíveis, que andam com qualquer mistura de gasolina e álcool no tanque, um novo sistema está prestes a revolucionar novamente a indústria automotiva brasileira. Apresentado durante o útlimo congresso da Sociedade de Engenharia Automotiva (SAE), o sistema - conhecido por ''start-stop'' desliga automaticamente o motor do carro quando o mesmo permanece parado em marcha lenta por um longo período.
Na Europa, o start-stop foi apresentado durante o salão do automóvel de Paris, em outubro de 2003, e já está disponível no C3, modelo compacto da Citroen. No Brasil, a tecnologia foi apresentada no congresso da SAE em um modelo Astra, da General Motors, equipado com motor 2.0 bicombustível.
O europeu C3 start-stop tem um alternador especial combinado ao motor de arranque, enquanto, no Astra, as duas peças foram mantidas separadamente. Em vez de usar tecnologia inédita, a Bosch substituiu o motor de arranque comum por um reforçado (para aguentar o contínuo desliga-e-liga), modificou a parte elétrica e desenvolveu uma nova central eletrônica.
O maior apelo do produto é a economia de combustível. Segundo a Bosch, a redução pode variar de 5% a 15%, dependendo do das condições de tráfego do veículo.
O start-stop é uma nova função agregada ao gerenciamento do motor, que já abrange comandos como injeção eletrônica e ignição. Com a nova atribuição, o sistema passa também a desligar e acionar automaticamente o motor de partida.
A tecnologia permite o reconhecimento do desejo do motorista e das condições do uso do carro. Se o veículo ficar parado por algum tempo, o motor desliga. O grande desafio dessa tecnologia é reconhecer que nem toda parada representa um desejo do condutor de desligar o motor.
Para o start-stop funcionar é preciso que o pedal do freio esteja acionado. O motorista coloca a marcha em ponto morto e tira o pé da embreagem. Quando o motorista voltar a acionar a embreagem para engrenar marchas, o sistema volta a ligar o motor automaticamente. Outros parâmetros também são levados em conta, como, por exemplo, a temperatura do motor. Se ainda estiver frio, o sistema não funciona.
O tempo para o motor desligar a partir do instante em que o carro pára é uma questão que será determinada pelo fabricante do veículo. Pode variar entre cinco a seis segundos, calculam os técnicos.
Junto com o sistema, será necessário desenvolver um motor de partida mais robusto do que os atuais. O motivo é que o equipamento terá de funcionar mais vezes.
O lançamento do produto no Brasil está nas mãos das montadoras. O custo vai depender também das negociações com os fabricantes de veículos. Na Europa, o C3 start-stop é vendido quase pelo mesmo preço que o modelo convencional.''É provável que o dispositivo chegue ao mercado no fim do ano que vem'', antecipa o engenheiro da Bosch, Fábio Ferreira.

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