Carro que compete em harmonia com a natureza
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de agosto de 2001
Fernanda Ongaratto<BR>De Curitiba 
Quem gosta de curtir provas de Rally sabe quanto esses carros soltam fumaça e fazem barulho. Realizadas em cenários naturais, onde a cor verde predomina, os carros parecem destoar da paisagem. Mas já está surgindo opções para tornar o carro mais propício a este tipo de esporte e aventura.
Na semana passada, o 21º Rally Internacional da Graciosa, que tem a Serra da Graciosa localizada entre Morretes e Quatro Barras como um dos trechos, contou com uma equipe mais ''natural''. A Pro Macchina, de Curitiba, ou então, Eco Macchina, transformou carros barulhentos e poluentes em ''lights''.
Na categoria N-4 Light, sub divisão da N-4 (motor 2.0 turbo), a Eco Macchina, equipe de Curitiba, reconfigurou os dois carros Subarus que eram a gasolina para álcool e incorporou neles catalisadores e abafadores. A idéia, segundo José Álvaro Carneiro, presidente da Liga Ambiental e representante das ONGs ambientalistas da Região Sul do Brasil do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), era preservar a natureza, mas mantendo a adrenalina e performance, características essencias desse tipo de competição. ''O álcool polue menos, o catalisador diminui a emissão de poluição e os abafadores diminuem o ruído'', explica.
Segundo ele, quando a idéia surgiu, outras equipes não acreditaram que as modificações fossem deixar os carros rápidos o bastante para competir, o que acabou não se confirmando na prática. O resultado foi que, dos 235 HP atingidos pelos carros da categoria N-4 Light, os carros da Eco Macchina perderam apenas cinco HP, o que, segundo José Álvaro Carneiro, não chega a ser significante. ''Essa diferença o piloto costuma tirar no braço'', comenta Carneiro, que além de ambientalista, é pai de um dos pilotos.
De acordo com ele, com a modificação, os carros de Maurício Neves e Alê Carneiro, pilotos dos Subarus ''mais naturais'', produzem 30 vezes menos poluição que um motor que faça combustão de gasolina de alta octanagem, o que acontece com os carros de Rally.
Quanto ao barulho, de acordo com Álvaro, ele fica bem mais suave. Se comparar um deles ao um Ibiza, outro carro forte de Rally, o ronco do motor pode ser ouvido a 50 metros de distância, enquanto que, o carro da Seat, se ouve a 10 km do local. A alteração, que transformou a equipe em a única ''ambientalmente correta'', só é feita em carros de Rally.


