Um segundo de descuido e o fim pode ser uma tragédia. Quando o assunto é criança e carro, a atenção e os cuidados devem ser constantes e redobrados. Aparentemente inofensivas e sem riscos, algumas atitudes dos pais ou responsáveis são caminhos abertos para os acidentes: deixar a criança sozinha dentro do carro, deixar a chave do automóvel ao alcance dela, deixá-la brincar próximo ao veículo, transportá-la de forma irregular.
Foi em uma situação como essas que há duas semanas uma criança de dois anos e 11 meses morreu asfixiada pelo vidro elétrico de um automóvel, em Chapecó (SC), após o pai ter se afastado cerca de 20 metros do local em que deixou o veículo estacionado com o filho dentro. Um caso parecido aconteceu em Santos (SP), há cinco meses. Uma criança de três anos pegou escondido as chaves da avó, abriu o carro estacionado na garagem e morreu depois de ter o pescoço prensado no vidro.
Fatalidade, displicência ou irresponsabilidade? A resposta é uma incógnita. Os casos citados são incomuns, entretanto, acidentes envolvendo crianças e carros são preocupantes. Dados do Ministério da Saúde no Brasil dão conta que entre as lesões não intencionais os acidentes de trânsito são a primeira causa de mortes na faixa etária de 0 a 14 anos. Em 2003 foram registradas 2.315 mortes no País.
''Fatalidades como as que aconteceram em Santos e em Chapecó não são comuns, mas apontam a necessidade dos cuidados em relação às crianças e os carros'', diz Juliane Yoshii Rodrigues, coordenadora da ONG Criança Segura de Londrina. A primeira orientação, aponta ela, é nunca deixar um pequeno sozinho qualquer que seja a situação e mesmo por um curto instante, pois poucos minutos de descuido podem levar a um acidente.
A ordem, que cabe perfeitamente quando se trata de automóveis, deve ser seguida principalmente se as crianças em questão forem menores de 4 anos de idade. Além dos casos citados, nos quais os pequenos conseguiram acionar o vidro elétrico, os mesmos podem mexer em algum botão do painel, na alavanca do câmbio, destravar o freio de estacionamento ou ainda dar partida no carro. ''A criança nessa idade não tem reação e a habilidade está muito limitada. Ela não consegue pensar no que fazer quando o vidro está subindo'', exemplificou Juliane.
Apesar de limitada, a coordenadora da ONG destaca que as crianças são bastante observadoras e aprendem a imitar os adultos. Por isso, quando estão sozinhas no automóvel, ou até mesmo acompanhadas, começam a fazer as coisas que viram. ''Ela sabe onde deve ser colocada a chave, onde abre a porta, como mexe no vidro'', alerta.
Temperatura - Em situações mais delicadas, crianças sozinhas dentro de um veículo podem morrer asfixiadas por causa da temperatura no interior do mesmo. Juliane reforça que a quantidade de calor dentro do carro quase dobra nos dias mais quentes, com o agravante de que a temperatura da criança sobe de três a quatro vezes mais rápido comparada à de um adulto. ''Em ambientes fechados ocorre algumas transformações no organismo dos bebês que podem provocar um colapso circulatório. Por causa da pouca idade, a criança ainda não tem um controle tão rápido da temperatura corporal como o adulto'', explica. Crianças sozinhas no automóvel também estão sujeitas aos sequestros.
O cirurgião pediátrico do Hospital Infantil em Londrina e plantonista do Siate, Dr. Mauro Roberto Basso, esclarece que como o mecanismo de regulação de temperatura dos pequenos é mais sensível, a primeira resposta ao calor excessivo é uma hipertemia, seguida de desidratação e depois asfixia.
Segundo o médico, apenas uma vez ele atendeu uma criança que se acidentou dentro do carro. ''Há um ano e meio uma criança de 3 anos prendeu o braço no vidro elétrico enquanto a mãe estava fechando o equipamento'', relembra. O acidente não teve consequências mais graves. Basso também alerta os pais quanto ao transporte adequado das crianças no automóvel. Em Londrina, como conta ele, um bebê que estava sendo transportado de forma irregular, morreu após ser jogado pra fora do veículo em decorrência de uma freada brusca.


DICAS

* Embora os lubrificantes sintéticos possuam características de qualidade superiores, a maioria dos fabricantes de veículos ainda não diferencia os períodos de troca, caso se utilize óleos sintéticos ou minerais. Geralmente, o ideal é a realização da troca do óleo a cada 5 mil km.

* É recomendável a substituição do filtro de óleo a cada duas trocas de lubrificante. Como o componente tem capacidade de até 1.0 litro, o óleo antigo nele contido pode contaminar o novo.

* Sempre siga as especificações recomendadas pelo manual de proprietário. Evite misturar tipos de óleo diferentes.

* Abasteça em postos de confiança e com controle de qualidade. A gasolina adulterada é um dos principais causadores da borra de óleo.

* A troca de óleo mais frequente elimina o problema da borra, pois o seu carro estará sempre rodando com óleo novo.

* Verificar a viscosidade colocando um pingo de óleo entre os dedos polegar e indicador não funciona. A viscosidade ou resistência ao escoamento de um óleo, é uma medida física de alta precisão e, portanto, só pode ser determinada através de ensaios feitos em aparelhos sofisticados, denominados viscosímetros cinemáticos.

mockup