Carro mais barato para deficientes físicos
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domingo, 27 de outubro de 2013
Marcos Martins<br> Especial para a FOLHA 
Curitiba - Segundo dados do último Censo Demográfico, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, a deficiência motora foi relatada por mais de 13,2 milhões de pessoas, o que equivale a 7% dos brasileiros. Um público que, por lei, tem direito a isenções de IPI, ICMS, IPVA e IOF na compra de um automóvel, seja como condutor ou para ser utilizado por um responsável legal.
Diversas montadoras têm programas especiais para atender os deficientes físicos, com orientações de documentação necessária e trâmites para conseguir os descontos, que podem chegar até 30%. Os benefícios fiscais são exclusivos para veículos de até 127 cavalos de potência bruta e que custem no máximo R$ 70 mil, de acordo com os valores da tabela Fipe. De acordo com Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (Abridef), mais de 42 mil carros com isenções foram vendidos para deficientes físicos em 2012.
Honda, Toyota, Volkswagen, Renault, Peugeot, Fiat, Chevrolet e Citröen oferecem um serviço diferenciado, que inclui treinamento das equipes de vendas, orientações com relação à obtenção das isenções e informações sobre a manutenção da garantia oferecida, em caso de adaptações dos modelos. O programa Honda Conduz oferece modelos com isenção total de IPI, ICMS ou ambos, como o New Fit (R$ 42 mil a R$ 59 mil), Fit Twist (R$ 46 mil a R$ 57 mil), Civic (R$ 53 mil a R$ 69 mil) e City (R$ 40 mil a R$ 60 mil). Acessibilidade, espaço interno principalmente do porta-malas, ideal para quem precisa transportar uma cadeira de rodas, por exemplo e relação custo benefício foram itens levados em consideração pelos participantes, segundo a montadora. As versões têm câmbio automático e motor flex.
Na Volkswagen, destaque para o Programa Mobilidade, que desde 2002 oferece vantagens especiais. Gol G4, Voyage, Fox, CrossFox, Polo, Polo Sedan e Parati, todos com motor 1.6, estão entre os mais procurados. Os preços variam de acordo com os itens de série. Os descontos podem variar de R$ 6 mil a R$ 17 mil, dependendo do modelo. Alguns deles possuem o sistema i-motion, um câmbio automatizado, diferente do automático, que também dispensa o uso de embreagem. A francesa Peugeot possui o programa Direção Livre, que também ajuda os deficientes no processo de compra. Entre os modelos, a marca disponibiliza o Peugeot 207 nas versões HB, SW e Passion, além do 307 HB e do 408.
C3, Picasso e C4 Pallas são os mais procurados dentro do Programa Mobilité, da Citröen, assim como o Livina e o Gran Livina no Programa Direção Especial, da Nissan. Outro carro bastante popular entre os deficientes físicos é o Corolla XLi, da Toyota, concorrente direto do Renault Fluence. Por fim, o programa Autonomy, da Fiat, disponibiliza modelos do Pálio, Siena e Idea com câmbio automático. Vale lembrar que todos os modelos citados das marcas acima não possuem adaptações personalizadas, indispensáveis para alguns condutores. O serviço é feito por empresas terceirizadas.
Burocracia
Se por um lado a lei está ao lado dos deficientes físicos, garantindo importantes benefícios fiscais, usufruir desse direito é um capítulo à parte que, como em quase todos os setores do comércio, esbarra na burocracia brasileira. É o caso do aposentado Francisco Chimborski, que dispensou o despachante e encarou sozinho o complicado trabalho de requerer as isenções. "Primeiro você vai até o Detran. Depois de montar o processo todo, tem que passar pelas receitas Estadual e Federal até ir, por último, à concessionária, para escolher o modelo. Foram mais de 40 dias", revela.
O presidente da Associação Paranaense dos Deficientes Físicos, Mauro Nardini, lamenta a demora. "É um processo que poderia ser simplificado para que não fosse tão longo. Em alguns casos, pode chegar a 60 dias", lamenta. Sobre o limite de valor, que anos atrás subiu de R$ 60 mil para R$ 70 mil, Nardini considera importante. "Aumentaram as opções de modelos disponíveis para os deficientes, facilitando compras que não eram possíveis antes, principalmente por causa do preço alto dos carros automáticos", avalia.


