As principais montadoras do País correm para lançar até o fim de 2003, em períodos muito próximos, o veículo que poderá circular com gasolina ou álcool, ou com os dois combustíveis misturados. Considerado mais um grande avanço no setor automobilístico, o carro Flexfuel, como é chamado, já circula nos Estados Unidos. Para ser lançado no Brasil está exigindo o desenvolvimento de uma tecnologia inédita e investimentos de empresas locais.
A Magneti Marelli gastou R$ 3 milhões nos últimos quatro anos para desenvolver o software que, acoplado ao sistema de gerenciamento do motor, identifica qual combustível está sendo usado, faz a adaptação e possibilita o funcionamento normal do carro. ''Testes já constataram a manutenção da performance e da dirigibilidade do Flexfuel'', diz o diretor de Programas da Magneti, Fernando Damasceno.
A empresa tem capacidade para produzir 1 milhão de sistemas ao ano e está negociando o fornecimento para várias montadoras. ''Esse carro vai ser um regulador fantástico de preços de combustível'', avalia Damasceno, para quem a tecnologia desenvolvida no Brasil também poderá ser exportada.
Outra empresa pioneira no projeto e que já tem o sistema pronto é a Bosch. Desenvolvido em seu centro tecnológico em Campinas (SP), exigiu de engenheiros brasileiros a criação de um sistema que conseguisse operar com álcool ou com a gasolina - que aqui recebe 26% de álcool. Segundo o vice-presidente da Divisão Gasolina, Besaliel Soares Botelho, as empresas aguardam o homologação do Flexfuel para poderem lançar o produto comercialmente.
A Bosch iniciou os testes do carro em 1994, com um Omega, da General Motors. Há seis meses instalou o sistema em um Vectra, também da GM, usado na frota da empresa.
Embora a Ford tenha alardeado recentemente já ter o motor Flexfuel para equipar o novo Fiesta, as outras grandes montadoras, Volkswagen, Fiat e GM também estão preparadas para colocarem carros bicombustíveis no mercado.
''Vai ter muita competição, pois todas têm interesse no projeto'', diz Botelho. Para atrair consumidores, é preciso ter preço vantajoso. Técnicos das montadoras acreditam que a diferença para um modelo a álcool não deve passar de 2%.

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