Carro é vendido com até 7 anos para pagar
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sábado, 18 de agosto de 2007
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - O consumidor já pode comprar um carro para pagar em sete anos, o prazo mais longo já disponível no Brasil para essa modalidade de financiamento. A Ford iniciou vendas de todos dos modelos da marca com entrada a partir de R$ 1 mil e o restante em 84 parcelas, a primeira delas em dezembro. Com a manutenção da queda da Selic (taxa básica dos juros) e a estabilidade econômica, a tendência é os demais bancos adotarem esse prazo e até ampliá-lo ao longo dos próximos meses.
No caso da Ford, um modelo Fiesta 1.0, que custa R$ 28.490, pode ser adquirido com R$ 1 mil de entrada e 84 parcelas de R$ 614. Ao fim do prazo, porém, o consumidor terá pago quase dois carros, ou R$ 52.576. Se a entrada for de 40% do valor à vista (R$ 12.861), as prestações baixam para R$ 349 e o valor ao fim do financiamento será de R$ 42.177. O juro, nesses casos, é de 1,68% ao mês.
Segundo o gerente geral de marketing da Ford, Antonio Baltar, embora o perfil do crediário tenha mudado nos últimos anos, o perfil do tempo de uso do carro não mudou. ''Normalmente o cliente fica com o automóvel por três a quatro anos e depois o revende e inicia um novo financiamento, mantendo o valor da prestação'', diz ele. O que o consumidor busca ao optar pelo financiamento longo ''é a flexibilidade do prazo com prestações baixas, que caibam no seu bolso.''
Prazos cada vez mais longos e juros em queda estão ajudando a indústria automobilística a bater recordes de vendas. Em sete meses já foram vendidos 1,3 milhão de veículos novos, 26,6% a mais que em igual período do ano passado. Segundo as montadoras, cerca de 70% das compras foram financiadas, metade delas em prazos acima de 36 meses (3 anos).
O juro para financiamentos de automóveis, um dos mais baixos do mercado, atualmente é de 19,4% ao ano, em média, ante 24,6% em junho de 2006. A carteira total de crédito soma R$ 71 bilhões, 24,3% acima do disponível há um ano.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, quase metade dos financiamentos (49%) é feita em planos acima de 36 meses (3 anos). Em junho de 2006, esse porcentual estava em 34%. ''A inadimplência está estável'', diz Schneider. A média atual é de 3,2% dos contratos, mesmo porcentual de junho de 2006. Segundo ele, nos demais bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos, a média é de 7,1%.


