Herbert Demel, presidente da Volkswagen do Brasil, chegou ao Brasil com o projeto do Gol e Parati Geração III recém-iniciado. As diretrizes de como gastar os US$ 200 milhões estavam dadas, porém não faltou seu toque pessoal sempre apoiado em forte embasamento técnico. Uma concessão feita foi ao departamento de Marketing, que conseguiu o lançamento simultâneo de hatch e de station pela primeira vez no Brasil. Isto, no entanto, só aconteceu porque a Geração III é uma evolução substancial e não produto inteiramente novo.
A Geração II continua sendo produzida apenas na versão Special, de 3 portas, para atender segmentos específicos de mercado pelo menos por um ano, quando chegará o novo pick-up Saveiro.
A versão station chega junto com o hatchback, uma concessão feita ao departamento de marketingCertas deficiências do líder do mercado brasileiro nos últimos 12 anos foram resolvidas. Painel reformulado, bancos dianteiro e traseiro melhores e porta-malas ligeiramente mais amplo, estão entre as cerca de 600 modificações que a empresa indica ter feito. Do Passat e do Golf herdou maçanetas e espelhos externos, o quadro de instrumentos e o belo conjunto ótico dianteiro. O logotipo da grade ficou algo desproporcional. Finalmente pintado de preto, o silencioso agora está quase todo encoberto pelo volumoso pára-choque traseiro.
Ao sentar ao volante, a surpresa é a regulagem milimétrica da altura do banco. O sistema, encontrado em geral só em modelos de categorias superiores, está em todas as versões, menos no Gol básico que mantém a antiga e imprecisa alavanca. O banco firma melhor o corpo e ameniza a anterior sensação de afundamento. Os comandos elétricos estão na parte superior central do painel. Sua distribuição pode confundir o motorista sem familiarização com a linha Gol. Esta localização, porém, é mais racional e protegida do que nas portas.
Adotados três cones sincronizadores, o engate de 1ª e 2ª marchas tornou-se mais macio, sem chegar a recuperar a referência que os câmbios da marca foram no passado. O rodar está mais suave, mesmo mantendo a suspensão firme de sempre. Tolerâncias das partes móveis da carroceria diminuídas e isolamento acústico superior melhoraram o nível de silêncio a bordo, embora a 2.800 rpm surja ruído de origem provável no câmbio.
Com um total de 600 itens trocados, o modelo terá preço médio 2,8% mais altoO trabalho nos motores foi muito bom, especialmente na resposta em baixos regimes do 1.0 de 16 válvulas, hoje o melhor motor fabricado no Brasil. Pode-se adiantar que em breve será exportado para a Espanha, onde equipará uma das versões do Ibiza.
O preço médio subiu 2,8%, mas a relação custo/benefício adequou-se. Vidros verdes, pára-brisa degradê, console e conta-giros são itens de série desde a versão básica. Graças à galvanização de 70% das chapas, a garantia contra corrosão perfurativa subiu para 5 anos, inédito no Brasil. Devem se fazer, entretanto, inspeções de carroceria anuais em concessionárias.
A consolidação da família Gol é importante para a Volkswagen, pois a desejada diversificação com a chegada do Golf será mais lenta no empobrecido mercado brasileiro. Demel não quis comentar o ataque da Palio Weekend sobre a Parati, que só manteve seu domínio de 15 anos em 1998 por margem inferior a 50 unidades no varejo. Prevê, porém, a manutenção da liderança da marca este ano com cerca de 30% de participação.
‘‘Não queremos ser baratos’’, afirma numa alusão de que ‘‘carro para o povo’’ já não é suficiente. Alto valor agregado, qualidade percebida, melhor acabamento e materiais mais nobres são as palavras de ordem. E isto é fácil de perceber em dois pormenores: filtro de ruído nas pastilhas de freio e, em versões mais caras, anel cromado na base da alavanca de câmbio herdado do Audi. É um bom começo.DivulgaçãoO novo produto herdou do Passat e do Golf as maçanetas e espelhos externos, o quadro de intrumentos e o belo conjunto ótico dianteiroFernando Calmon
Especial para a
Folha Carro & Cia

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