Carro de luxo alemão avança no Brasil
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sábado, 12 de julho de 2014
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - As três fabricantes alemãs que estão construindo fábricas no Brasil ampliaram as vendas de modelos importados neste ano em 40%, num mercado que, ao todo, vendeu 5,2% menos automóveis e comerciais leves em relação aos cinco primeiros meses de 2013. Audi, BMW e Mercedes-Benz atuam com veículos de luxo, mas foi o lançamento de modelos mais em conta, na faixa de R$ 100 mil, e estratégias similares àquelas adotadas no segmento mais popular, como financiamento com juro zero que alavancaram os negócios.
Até o mês passado, as vendas dos automóveis e utilitários esportivos das três marcas somaram 15,2 mil unidades, em comparação a 10,7 mil unidades de um ano atrás. O mercado total contabiliza 1,33 milhão de veículos, comparado aos 1,4 milhão de 2013. Do volume deste ano, 40% são de modelos populares, cujas vendas caíram 12,6% em relação aos primeiros cinco meses do ano passado.
A marca que mais puxou o crescimento das fabricantes alemãs foi a Audi, que acumula crescimento de 118% nos negócios, com vendas de 5 mil unidades até maio. No mês passado, o grupo que voltará a produzir carros no País em 2015 rendeu-se à oferta de juro zero para o financiamento de seus modelos e descontos médios de 10%. Os preços dos automóveis Audi no País variam de R$ 90,6 mil a R$ 902,5 mil.
Em fevereiro, a Audi realizou campanha na TV aberta - ação que não fazia há mais de uma década. "Em 2014 planejamos vender pelo menos 10 mil carros no Brasil, o dobro do volume de 2013", afirma o presidente da Audi do Brasil, Jörg Hofmann. "É uma meta ambiciosa, mas trabalhamos para isso. Vamos ampliar presença no mercado com novas revendas e mais modelos no portfólio."
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Embora os modelos mais vendidos da Mercedes-Benz sejam os da linha Classe C, com preços entre R$ 123 mil e R$ 204 mil, foi o lançamento, no ano passado, do Classe A, com tabela a partir de R$ 110 mil, que ajudou a marca a registrar crescimento de quase 15% nos negócios neste ano.
"Passamos a atuar num segmento em que não estávamos antes, com produtos de entrada (mais baratos) e, com isso, conseguimos atrair novos clientes", afirma Dimitris Psyllakis, diretor-geral de automóveis da Mercedes-Benz do Brasil. Antes, a marca só tinha produtos acima de R$ 125 mil. O modelo mais caro é o E350, que custa R$ 369 mil.
A Mercedes vendeu 4,2 mil carros de janeiro a maio, alta de 15% em relação ao ano passado. Psyllakis aposta num segundo semestre mais forte, em razão dos lançamentos previstos.
Em agosto chega ao País o novo Classe C, com mudanças como motor que consome 20% menos combustível que o atual e sistema mais avançado de conectividade com a internet. A nova versão deve custar cerca de R$ 130 mil. Em outubro será a vez do utilitário compacto GLA, um dos veículos que a marca produzirá na fábrica a ser inaugurada no fim de 2015 em Iracemápolis (SP).
Ao todo, a Mercedes fará 17 lançamentos este ano, informa Psyllakis, entre novos produtos, reestilizações e mudanças em motorização. "É um número recorde de lançamentos", informa o executivo. Ele projeta vendas de 11 mil veículos este ano. Se atingido, será o maior volume anual da marca no País.
A BMW, líder entre as três alemãs no Brasil, vendeu neste ano 6 mil veículos com preços entre R$ 106 mil e R$ 585 mil. O volume é 24% maior que do ano passado. A fábrica do grupo em Araquari (SC) entra em operação em setembro para a produção de cinco modelos: Série 3, X1, Série 1, X3 e Mini Cooper.
Juntas, as três alemãs devem vender perto de 40 mil veículos neste ano, ante as quase 34 mil unidades do anterior, calcula Psyllakis. Na opinião de Hofmann, nos últimos anos o Brasil passou por mudanças econômicas, o que impactou a estrutura de classes sociais. "Com mais poder aquisitivo, há um número maior de potenciais clientes para as marcas premium." Audi,
BMW e Mercedes terão capacidade produtiva para 78 mil veículos ao ano. Somada à capacidade da Land Rover, que fará utilitários de luxo em Itatiaia (RJ) a partir de 2016, o número sobe para 102 mil unidades/ano. Os investimentos totalizam R$ 2,25 bilhões.
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