Carro antigo movido a paixão
Quem for visitar algum museu de carros antigos vai ter a impressão que está vivendo nos anos 40, 50, 60 ou que entrou em algum filme velho. O motivo para tal sensação é simples: os carros expostos nesses lugares estão tão conservados que nem parece que foram fabricados há tantos anos.
O brilho da pintura, a cor dos estofamentos, as rodas, os faróis, tudo é tão bonito, que explica a paixão de algumas pessoas por esses veículos. Na verdade, como alguns mesmo definem, paixão não, loucura. Eu sou o mais louco de todos, declara o industrial Luiz Gil Leão Filho, que tem 17 carros antigos, entre eles um Cadillac Eldorado 1953, único do Brasil, que está exposto no Museu do Automóvel de Curitiba.
Para se ter idéia do tamanho da paixão, Leão Filho deixa um dos automóveis, o Jaguar XK 120, ano 1950, estacionado em cima de um tapete. Eu comprei o carro de presente de Natal para mim. E a minha esposa me deu o tapete para não deixar ele só no piso, de tão bonito que é.
Outro apaixonado por carros antigos, o empresário Paulo Roberto Braz, presidente do Museu do Automóvel de Curitiba, tem seis carros antigos, mas diferente do amigo Leão Filho, que usa os vovôs todos os dias, Braz os reserva para os fins de semana e para os encontros noturnos de quarta-feira.
Renato Requião Munhoz da Rocha é outro louco pelos antigos. Ele tem quatro carros, entre eles, um Oldsmobile 1952. Esses carros trazem lembranças que fazem bem para as pessoas, conta Renato, que não tira os carros da garagem em dia de chuva.
O empresário Luiz Carlos Cooper tem 10 carros antigos e uma marca de coração. A preferência de Cooper são os Chrysler, tanto que, o único Crysler Windsor 1949 que existe no Brasil é o dele. Tem colecionador que se fixa em uma única marca, explica, completando que tempo para pesquisa e paciência são indispensáveis para encontrar peças que faltam nos carros antigos.
Segundo ele, os colecionadores agem como se fossem uma grande família, comenta, contando da Operação Faróis Acessos, em que os sócios do museu saem em caravana com os faróis acessos pela cidade.
Élcio Bergamini, técnico em administração, faz parte do Veteran Car Clube do Brasil, outra associação que compartilha a paixão pelos carros antigos. O clube que fica na Santa Cândida, bairro de Curitiba, se reúne toda quinta-feira à noite, mas não é aberto ao público.
Bergamini é daqueles colecionadores que gostam em especial de uma marca. Gosto do Citroen. Tenho três. Um 1950, um 1951 e um em restauração.
Alexei Antoniuk só tem um carro antigo, mas não é menos apaixonado por isso. Ele demorou 17 meses para restaurar seu Oldsmobile ano 1968 modelo Delmont 88 e agora, desfila com ele três vezes por semana.
Outro apaixonado pelas raridades, o presidente do Sedan Clube Volkswagen do Paraná, Ari Francisco Skroch Júnior, contou que o gosto por carros antigos vem desde a infância, quando ele trocava os carrinhos de brinquedos modernos, por fordinhos e fusquinhas. Hoje, Júnior tem um Fusca ano 60, em perfeitas condições e todo equipado, e um Ford ano 28, que está na oficina passando pela restauração.
Apaixonado mais ou igual à Júnior, é o empresário e artista plástico, Jaci Dalcin. Ele comprou quatro Fuscas, um 50, um 52, um 53 e um 61 para fazer uma réplica perfeita de um Hebmuller 1950, único da América do Sul. Foi um prazer vê-lo andando, um desafio conquistado.





