Com o aumento de mais de 50% do preço da gasolina do início do ano para cá, muita gente que antes tinha uma caminhonete com esse combustível resolveu trocá-la por uma a diesel. Mas será que vale mesmo a pena?
Segundo os especialistas, antes de optar pelo modelo a diesel é preciso analisar alguns fatores. Como o preço dos carros com esse combustível geralmente é mais alto do que o a gasolina, a regra básica é a seguinte: se o motorista não for rodar bastante com o veículo pode não compensar investir mais num modelo a diesel.
O vendedor da Gran Park Veículos, Marcelo Juliano da Silva, prova matematicamente, com contas e suposições, que, para quem roda poucos quilômetros, comprar uma caminhonete a gasolina é um bom negócio. ''Acima de sete mil quilômetros por mês, o custo/benefício do carro diesel vale a pena. Para aquele motorista que roda dois, três mil quilômetros por mês, é inviável'', diz.
Silva utiliza a S-10 2.4 litros, que a gasolina custa R$ 30.319,00 e a diesel sai por R$ 47.716,00, como exemplo. A diferença de preços das duas é de R$ 17.397,00. Se o motorista fizer, com uma S-10 a gasolina, sete mil quilômetros em um mês, e isso acontecer durante três anos -tempo médio de permanência com o veículo- no final, ele vai ter rodado 252 mil quilômetros. Considerando um consumo cidade/estrada de 9,5 km/l, vão ser usados 26.526,31 litros de combustível. Sendo, mais ou menos, R$ 1,67 o valor do litro de gasolina, o motorista vai desembolsar R$ 44.298,94 para abastecer nos três anos o carro.
Na mesma situação, só que, tendo uma S-10 a diesel, e sendo o consumo mais baixo, variando em 11 km/l, esse mesmo motorista, com o preço do combustível variando em R$ 0,85 o litro, iria gastar, depois de três anos de uso, R$ 19.472,72.
Então, tendo a S-10 a gasolina com um preço de R$ 30.319,00 mais R$ 44.298,94 da gasolina, vão ser, ao final de três anos, R$ 74.617,94. No modelo diesel, que custa R$ 47.716,00 mais os R$ 19.472,72 do combustível, o motorista vai ter desembolsado a quantia de R$ 67.188,72. Ou seja, a economia chega a R$ 7.429,22 em 36 meses. O que, segundo Silva, prova que, para quem anda bastante, vale a pena pagar mais R$ 17 mil pelo motor diesel.
Silva dá o mesmo exemplo, só que tomando como base aquele motorista que roda dois mil quilômetros por mês. Em três anos, ele vai ter andado 72 mil. Com um consumo de 9,5 km/l e a gasolina custando R$ 1,67, ele vai utilizar 7.578,94 litros em 36 meses e gastar R$ 12.656,84 para abastecer.
Se o carro for a diesel, o motorista vai, com um consumo de 11 km/l ao preço de R$ 0,85 o litro do combustível, usar 6.545,45 litros e desembolsar R$ 5.563,63 para encher o tanque no tempo que ficar com a caminhonete.
Com a S-10 a gasolina custando R$ 30.319,00 mais os R$ 12.656,84 do combustível, ao final dos 36 meses, ele terá desembolsado R$ 42.975,84. Com a S-10 a diesel, que custa R$ 47.716,00 mais os R$ 5.563,63 do combustível, vão ser R$ 53.279,63. Se esse consumidor, que roda pouco por mês, fizer as contas na ponta do lápis, vai perceber que não vai fazer um bom negócio se adquirir um modelo a diesel.
O vendedor da Gran Park diz que faz esses mesmos cálculos para o cliente porque essa é uma maneira dele sair satisfeito da loja e depois não se arrepender da compra. No entanto, Silva alerta: ''Quem não quiser perder nem um pouco de dinheiro na hora da revenda, o veículo a diesel é o ideal. A procura é grande e é fácil de vender'', diz.
O diretor da TVL Veículos, revendedora Mitsubishi de Curitiba, Abraham Copernik, diz que os carros a diesel são ideais para aquele motorista que anda pelo menos dois mil quilômetros por mês. ''Se a pessoa roda mais que 20 mil quilômetros por ano, vale a pena. Por isso é que, quando a pessoa vai comprar um carro assim, é importante perguntar quanto a pessoa anda e qual o uso. Essa é a pergunta básica. Dessa forma, tem como direcionar a compra e o cliente sair da loja bem servido'', explica, dizendo que a diferença de preço da linha Pajero Sport gasolina e diesel gira em torno de R$ 10 mil.
Mas o interessado em adquirir um veículo a diesel tem outros fatores para levar em consideração. Embora os vendedores garantam que a diferença é pequena e que não atrapalha o rendimento final, os números mostram que o veículo a diesel é mais lento. Uma Hilux SRZ 4X2 3.0 litros a diesel tem 90 cavalos de potência. O mesmo veículo, só que 2.7 litros (configuração disponível nesse modelo) a gasolina, tem 142 cavalos.
Outra questão que no momento é tida como desvantagem para os veículos a diesel é o furto/roubo. Para se ter uma idéia, em agosto do ano passado foram roubadas/furtadas 37 caminhonetes em Curitiba. Nesse número estão incluídas tanto os motores a gasolina como a diesel. Segundo a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba, no mesmo período desse ano, foram 101 caminhonetes levadas pelos ladrões. E dessas, 90% têm o motor diesel. Do início desse ano até o dia 9 de setembro, já foram furtadas/roubadas 370 caminhonetes. Só nos nove primeiros dias de setembro, foram 15. No mês inteiro de setembro do ano passado, esse número não ultrapassou a casa dos 40.
O maior número de furtos/ roubos é consequência do aumento da venda desses veículos e da procura pelo mercado paralelo, seja este de peças ou para repassar o veículo em outros estados. Com isso, o preço do seguro também aumentou. Segundo algumas seguradoras consultadas, o valor do seguro de um carro a diesel pode ser de 20% a 30% maior que o valor do mesmo carro a gasolina. Algumas empresas, inclusive, nem estão aceitando fazer seguro desses modelos justamente pelo alto índice de furtos e roubos.

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