O governo vem tentando, nos últimos meses, retomar o programa do álcool, mas usineiros e montadoras, além o próprio consumidor, continuam com o pé atrás em relação à volta consistente do uso desse combustível que já chegou a abastecer mais de 90% da frota brasileira.
Medidas de incentivo, como redução de impostos (IPI e ICMS), concessão de bônus e linhas de financiamento estão sendo adotadas. A procura por carros a álcool até deu um salto razoável, de 50% na comparação com 2001, com vendas de 27.617 veículos até agosto. Mas a participação no mercado ainda é pequena, não passa de 3,3%, porcentual que, na visão das montadoras, não deve se alterar no curto prazo.
A maior parte das medidas de incentivo está voltada para frotistas e taxistas. Mesmo disposto a comprar um carro movido com o combustível, o consumidor normal dificilmente vai encontrá-lo nas lojas. É preciso encomendar e esperar no mínimo um mês. Além disso, são poucos os modelos disponíveis.
Fabricantes, usineiros e governo fazem um jogo de empurra-empurra sobre as responsabilidades e garantias para revitalizar o Proálcool. A indústria automobilística diz que só volta a produzir em maior escala se houver garantias de abastecimento. Os produtores afirmam que só fabricam mais álcool se o consumo crescer. E o governo, por enquanto, não conseguiu criar uma política estável para o álcool e nem definiu o real papel do combustível na matriz energética brasileira.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ricardo Carvalho, diz que o setor está preparado para produzir carro a álcool em larga escala, como já fez no passado. ''Temos tecnologia e capacidade de produção. Dependemos, fundamentalmente, de uma política abrangente e permanente que restaure a confiança do consumidor.''
Já o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, diz que o setor tem capacidade para produzir até 16 bilhões de litros por ano, mas a produção atual é de pouco mais de 12 bilhões. Segundo ele, ampliação vai depender da demanda e da sinalização das montadoras em abastecer o mercado com novos carros.
Segundo ele, o atual mecanismo das empresas de vender automóveis por encomenda prejudica a popularização do carro a álcool. ''Interesse do público existe, por causa do preço do combustível.'' Ele alerta, porém, para a redução do veículo no mercado. ''Cerca de 300 mil carros movidos com o combustível estão sendo sucateados todo ano.''

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