Carro a álcool seria melhor
‘‘Não tenho o que reclamar do desempenho do carro a álcool, mas provavelmente optarei por um à gasolina na próxima compra’’, afirma Gilson Antônio Strasbach, proprietário de um modelo a álcool produzido em 1994. ‘‘É comum que as pessoas estejam optando pelo automóvel à gasolina, sobretudo em função da desvalorização do mercado para o carro a álcool’’, frisa o engenheiro Henry Joseph.
‘‘Para o consumidor voltar a procurar por estes modelos será necessário a criação de mecanismos que garantam sobretudo o preço mais acessível do álcool, sua continuidade no mercado e a valorização do automóvel’’, alerta Joseph.
Tecnologia
O representante da Anfavea afirma que os associados já assumiram o compromisso de retomar ou ampliar a produção do carro a álcool a partir de janeiro do ano 2000. ‘‘A agilidade com que isto será feito se dá ao fato de que todas as montadoras continuaram investindo em pesquisas e desenvolvimento tecnológico para o motor a álcool’’, garante. ‘‘Em função da instabilidade comercial do petróleo, as empresas sempre se preocuparam em manter atualizada a tecnologia ligada ao combustível renovável’’, ressalta.
Com relação ao desenvolvimento tecnológico dos motores a álcool, Joseph ressalta que são em torno de 11% mais potentes. ‘‘Como ele admite uma taxa de compressão até 30% maior que o motor à gasolina, o motor a álcool efetivamente é mais potente. Por isso, certamente pode-se dizer que o desempenho do carro a álcool e sua dirigibilidade são melhores que o do carro à gasolina’’, garante.
No entanto, devido ao menor poder de combustão do álcool, o motor movido por este combustível consome até 25% a mais que o motor à gasolina. ‘‘Porém, o preço do litro do álcool está em torno de 40% mais barato que o da gasolina, o que ainda permite uma economia de 15% para o proprietário do carro a álcool’’, calcula Roberto Fregonese.
Fregonese, entretanto, prevê um aumento para o preço do álcool. Ele explica que as indústrias estão tendo um custo de R$ 0, 36 para produzir o litro do álcool, e o produto está chegando para o consumidor, após passar pelos distribuidores e revendedores a uma média de R$ 0,45, em Curitiba. ‘‘Isto revela que o setor alcooeiro não está cobrindo nem mesmo os custos de produção’’, afirma o presidente do Sindicombustíveis.
Meio ambiente
Henry Joseph, embora enumere várias vantagens do álcool como combustível, ressalta que no tocante à emissão de poluentes, o motor à gasolina e a álcool são equivalentes. ‘‘Em função de leis ambientais, a indústria automotiva instalada no País teve que desenvolver mecanismos eficientes para respeitar os índices de emissão de poluentes estabelecidos’’.

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