Caminhoneiros desconhecem a lei
A maioria dos caminhoneiros desconhecem a nova resolução do Contran. A falta de divulgação por parte do Governo Federal sobre o assunto e a briga dos sindicatos contrários a resolução impediram a repercussão da notícia entre a categoria.
Não sabia disto, mas acho que isso é mais uma invenção do governo para tirar o dinheiro do nosso bolso, disse o caminhoneiro Odair Celegrin, ao ser informado sobre a nova resolução. O custo elevado de instalação da faixa refletiva é o principal ponto questionado pelos caminhoneiros. Como vou gastar R$ 900,00 em uma carreta velha como essa. É um absurdo, questionou Celegrin ao lado de um Scania 1115 ano 1978.
Outro caminhoneiro, que já está há 14 anos nas estradas, José Dirceu, cansou de ser explorado pelo Governo. Pagamos muito e recebemos pouco. Por isso estou vendendo meu caminhão. Não dá mais para trabalhar, reclamou. Dirceu explicou que, em um carreto de Londrina até Paranaguá, um caminhoneiro consegue lucrar apenas R$ 200,00. Isso não conta o desgaste do caminhão, dos pneus e as despesas extras que podem ocorrer durante uma viagem, salientou.
Osmair Moreira Alves também não sabia da vigência da nova lei. Não concordo com mais essa obrigação. Em vez de nos obrigar a instalar equipamentos, o governo deveria ver como é que estão a sinalização das estradas, o estado de conservação e os motoristas sem juízo, disse.
O supervisor de distribuição de fretes da Transportadora Martins, em Cambé, Marcos Antônio Teles, disse que a instalação do novo equipamento irá comprometer o lucro da empresa. Nossa frota que se enquadra dentro da resolução é de 3.500 veículos. Se multiplicarmos pelo valor de R$ 300, teremos um custo de mais de R$ 1 milhão. Isso não tem cabimento, analisou Teles.
O Sindicato das Empresas Transportadoras de Carga no Estado do Paraná (Setcpar) acredita que a nova resolução não deverá sair do papel. Não estamos questionando a segurança do equipamento. Só achamos que é um custo muito elevado para os caminhoneiros, que já pagam pedágio, IPVA e outros impostos, justificou Rui Cichella, presidente do Setcpar. Segundo ele, a 3M, uma das empresas que fabricam a faixa refletiva já distribui para a Polícia Rodoviária um aparelho que verifica a autenticidade do produto. (M.D.B)





