Da Redação
Surge na alemanha um produto que, de acordo com o fabricante, vai deixar apenas na lembrança o eterno dilema dos clientes de optar entre câmbio manual ou automático. Trata-se do câmbio Multitronic, que a Audi está disponibilizando, inicialmente, nos modelos A6 e A6 Avant.
A montadora afirma que a nova transmissão ‘‘é a mais recente evolução do sistema de variação contínua, através do qual a troca de marchas acompanha quase indefinidamente as variações de rotação do motor’’.
Para se ter uma idéia das possibilidades do novo câmbio Multitronic, basta saber que suas relações de desmultiplicação vão de 2,1:1 a 12,7:1. Nos modelos de variação contínua até hoje desenvolvidos, essa taxa mal ultrapassava 5:1.
Além da economia de combustível, o fabricante afirma que, ‘‘com o Multitronic, o A6 consegue ser o primeiro carro do mundo com transmissão automática a acelerar mais rápido do que o modelo equivalente com câmbio manual’’.
O modelo A6 com câmbio Multitronic, equipado ainda com motor V6 de 193 cv, é capaz de saltar de 0 a 100 km/h em apenas 8 segundos, enquanto o mesmo carro com transmissão manual precisa de 8,1 segundos.
A vantagem se amplia para 1,3 segundo no caso do A6 com câmbio automático convencional, mesmo que com Tiptronic: 8 segundos de 0 a 100, contra 9,3 segundos.
No item consumo, os engenheiros garantem que o A6 com Multitronic se revela o primeiro carro do mundo a oferecer mais economia do que um modelo equivalente com câmbio manual. A vantagem é de 0,25 km/l a mais do que o mesmo modelo com câmbio manual e 1,1 km/l a mais do que o modelo com câmbio automático Tiptronic.
Além da ausência de alteração nas mudanças de marchas, o novo sistema proporciona som agradável e uniforme, afirma texto distribuído pela Audi Senna, empresa responsável pela comercialização dos produtos da marca no Brasil.
Os engenheiros da Audi também pensaram num meio de não tornar monótono o ato de dirigir um carro assim. Para isso desenvolveram um sistema eletrônico, o DRP, que ajusta o funcionamento do Multitronic às características do motorista. O sistema consegue ler como o condutor aciona o pedal do acelerador e, com base nessa informação, privilegia o desempenho ou a economia.
Nesse caso, sempre que se alcança uma velocidade de cruzeiro acima de 60 k/h, é acionada uma espécie de overdrive. Para se ter uma idéia, basta dizer que isso corresponde, nos câmbios tradicionais, a um alongamento das marchas. Nessa situação, poupa-se o esforço do motor e, consequentemente, se consegue melhores médias de consumo.
Mas se o piloto gosta de acelerar, o DRP detecta esse tipo de direção esportiva e altera a relação para underdrive, para aproveitar ao máximo os 280 Nm de torque do motor do A6. Quando nenhuma dessas características acontece, o sistema simplesmente seleciona a relação mais favorável entre os dois extremos.
Assim, a Audi tentou resolver um problema crônico dos sistemas de transmissão contínua: não suportar torques elevados, como o do A6 2.8. Para esse caso, a empresa adotou um novo elemento de transmissão conhecido como corrente de elos de placa, o que proporcionou um espaçamento entre a marcha mais curta e a mais longa, até então impossível nos sistemas de variação contínua.
Essa corrente acabou permitindo maior agilidade às mudanças de marcha, mesmo no caso da mais curta, dispensando o uso do conversor hidráulico de torque.

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