Em um circuito montado em uma pedreira de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), foi realizada a parte prática do circuito BFGoodrich Adventure. Uma trilha difícil, com lama, água, erosões e uma pirambeira assustadora. A ênfase foi para a tração 4x4, é claro, mas em sua versão reduzida, que possibilita um ganho de torque para o motor, mesmo em baixas velocidades. Ideal para os obstáculos mais difíceis, pois além de permitir uma resposta rápida do motor para as acelerações também propicia resposta rápida para a desaceleração, trabalhando com eficiência como freio motor.
''No Brasil, há um certo preconceito em relação à versão reduzida, pois muita gente conheceu a modalidade 4x4 a bordo dos jipes Wyllis, que já eram bem reduzidos normalmente. Tem condutor que pensa que vai forçar o motor se utilizar a reduzida, o que não é verdade. Pelo contrário, ocorre uma potencialização da capacidade de força do motor'', explica o instrutor Marcos Rogério Fertonani.
Cabe ao motorista fazer a avaliação prévia do percurso que vai enfrentar para decidir se deve utilizar o veículo na versão 4x2, 4x4 ou 4x4 reduzida. Porém, nunca é demais lembrar: o acionamento da reduzida só é possível depois que a tração 4x4 for acionada.
A bordo de uma Ranger 2009, a reportagem da FOLHA conseguiu passar com certa facilidade pelo percurso. A dificuldade maior ficou para a descida da rampa de 80 metros e de 40 graus de inclinação. Para esse tipo de descida íngreme, a sensibilidade com os freios é fundamental. Se eles forem pressionados a ponto de as rodas travarem, as pedras e a terra soltas fazem com que o veículo deslize ladeira abaixo. Por outro lado, se o carro chegar a embalar nem a marcha reduzida segura. Difícil, mas não impossível. Calma e cautela são fundamentais.
Para os outros obstáculos, uma boa dica: manter o ''motor cheio'', ou seja, com a aceleração entre 2.500 e 3.500 rotações por minuto (rpm). Isso vai fazer com que as respostas sejam rápidas para aceleração e desaceleração. Com a reduzida acionada, andando em primeira, segunda, no máximo em terceira marcha, não é difícil passar por pequenos morros, erosões e pontos onde uma ou duas das rodas chega a perder contato com o solo. Praticamente não se utiliza freio e embreagem. A dica é fazer tudo devagar. Não é vergonha descer do carro para avaliar um obstáculo antes de enfrentá-lo.
Saber dosar o pé no acelerador também é importante. Para atravessar um rio, por exemplo, quase não se acelera. Já para transpor um atoleiro é preciso uma dose razoável de aceleração. ''Sensibilidade é fundamental'', ensina Fertonani.
Ao final do curso, a maior lição que fica é de que é possível tirar os off-roads da cidade e ir para a terra. O veículo que durante a semana serve como meio de locomoção para o trabalho, no fim de semana pode ser uma boa fonte de lazer. ''Eu comprei o meu 4x4 há cinco meses. Porém, queria aprender mais sobre ele antes de começar a praticar o off-road para valer. Com o curso ganhei mais confiança, foi excelente para conhecer o limite do meu carro'', destaca a arquiteta Regiane Cobra, proprietária de uma Pajero TR4, a primeira a vencer o circuito BFGoodrich Adventure de Londrina.

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