A participação do setor de consórcios sobre as vendas de automóveis no País foi de 31% no primeiro trimestre do ano. Em 98, o porcentual era de 36,6% no mesmo período. No segmento de motocicletas, a participação dos consórcios sobre as vendas totais cresceu de 51,9% para 61,4% no primeiro trimestre deste ano. Os dados foram divulgados quarta-feira pela nova diretoria da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), eleita em março.
O presidente da ABAC, Eriodes J. Battistella lamentou a não renovação do acordo do setor automotivo, que reduziu os preços dos automóveis. Apesar disso, ele não acredita num grande impacto negativo sobre as vendas de automóveis por consórcios com o reajuste anunciado pelas montadoras. ‘‘Mesmo com todo esse pessimismo que nós estamos atravessando, temos certeza de que vamos crescer’’, afirmou Battistella. O número de participantes em consórcios deve crescer de 15% a 25% este ano, segundo expectativa do presidente da Abac. O faturamento do setor deve crescer 10% em relação a 98.
Em março, segundo dados do Banco Central, o número de participantes ativos em consórcios era de 2.677.305. Deste total, 44% correspondem a consorciados de veículos leve (1.180.245) e 35% representam participantes em grupos de motocicletas (953.569). O número de contemplados pelo sistema de consórcio no primeiro trimestre do ano foi de 187.211.
O presidente da Abac alertou para o risco de aquisição de um ‘‘consórcio informal’’, sem autorização do Banco Central. Segundo a responsável pelo departamento jurídico da Abac, Elaine Gomes, a entidade já apresentou 59 representações contra consórcios informais desde 96. A Abac conta com 260 empresas associadas no país. No cadastro do Banco Central, há 420 administradoras de consórcio.
Battistella não acredita no aumento da inadimplência do setor este ano. Para ele, entretanto, o porcentual de inadimplentes deve ter uma ligeira alta em maio, por conta do reajuste dos preços dos veículos, que deve ser refletido nas mensalidades dos consórcios.
Na opinião de Battistella, a inadimplência do setor, que foi de 22% no trimestre (9% entre os contemplados e 13% entre os não contemplados) é preocupante. Ele disse que o índice entre os contemplados, que passou de 6% até setembro para 9% a partir da última crise econômica, já é bastante elevado e não deve crescer.

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