Na casa do engenheiro elétrico na área de telecomunicações Leandro Guimarães Guerra e da vendedora Sabrina Masso Capriglione, a necessidade por mais de um veículo na garagem começou há cinco anos quando o casal residia em Curitiba.
''As distâncias são grandes e cada um tem o seu compromisso em determinado lugar, não dá para depender do transporte público'', destaca Sabrina. ''Hoje não consigo mais viver sem um carro só para mim. Preciso viajar para cidades do interior e ela (Sabrina) tem seus compromissos também'', acrescenta Leandro.
Sabrina revela também que a adaptação foi difícil, sobretudo no primeiro ano, por causa das despesas que os automóveis representam. Mas garante que hoje a família se organizou financeiramente para atender à esta demanda.
Com filhos pequenos, Sabrina acredita que seja uma tendência as crianças terem seus próprios carros quando crescerem. ''Assim que tiverem 18 anos e trabalharem, espero que comprem um carro com o seu esforço'', defende Leandro.
Para reforçar a dependência, ele lembra que no final do ano um dos carros ficou fora de uso e, para evitar aborrecimentos com carona, os dois decidiram não esperar nem mesmo pelo pagamento do seguro.
Em algumas famílias londrinenses já é possível perceber um número de veículos superior à quantidade de membros. A reportagem da FOLHA entrou em contato com um empresário, cuja família tem quatro pessoas e seis automóveis na garagem.
''Embora trabalhemos com os negócios da família, cada um tem sua rotina e seus horários. Assim, fica melhor cada um ter o seu carro'', defende ele, que prefere não se identificar.
O empresário considera que é importante ter consciência ambiental e que seria interessante diminuir o número de carros circulando, mas aponta que para isso ocorrer o transporte público precisa melhorar no Brasil. (V.F.)

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