C8, van de sete lugares, chega ao Brasil
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sábado, 20 de março de 2004
Alan Maschio<br> De São Paulo, SP 
Luxo, bom acabamento e tecnologia são os fortes do C8, o mais novo veículo que a Citroen começa a importar para o Brasil. Apesar do conforto e beleza, a van francesa - que pode acomodar até sete passageiros - peca apenas por duas coisas: preço (R$ 135 mil) e desempenho.
O design, inspirado no sedã C5, garante a simpatia do carro. As impressões que a van francesa passa, mesmo antes de girar a chave, são boas. A C8 tem desenho moderno e agradável, méritos difíceis de se alcançar em vans, tradicionalmente grandes e quadradas. Os faróis avantajados, bagageiro que lembra um aerofólio e o enorme pára-brisas são alguns dos detalhes estéticos que mais chamam a atenção na C8.
Internamente, os destaques ficam por conta do acabamento - típico de marcas francesas - e da tecnologia à disposição dos donos do carro. Como na Picasso, conta-giros, velocímetro e medidor de combustível e temperatura (todos analógicos) ficam no centro do painel.
Recursos não faltam para os ocupantes. Piloto automático, abertura e fechamento elétrico das duas portas corrediças, climatização separada para motoristas e passageiros (dianteiro e traseiros) e pára-brisa atérmico são algumas das regalias. E haja trecos para ocupar os 60 porta-objetos espalhados por todo o carro. Tetos-solares - três, um para cada fileira de bancos - e regulagem elétrica dos bancos são opcionais.
O luxo, no entanto, encobre o primeiro problema do C8. Se por fora o carro parece grande (e é, com 4,72 m e 2,823 m de entre-eixos), o espaço interno deixa a desejar, lembrando o conforto de um sedan médio. Os sete bancos só poderão ser utilizados se a família não levar muita bagagem. Com todos os lugares, o carro tem seu porta-malas reduzido de 1.160 para 225 litros. A melhor opção para viagens é a retirada da última fileira de bancos.
O desempenho é frustrante, mesmo para um carro destinado às famílias. O C8 usa o mesmo motor e transmissão do Picasso, mas pesa 400 kg a mais. O resultado se reflete em acelerações e retomadas lentas, mesmo com potência de 138 cv e torque de 20 kgfm do motor 2.0 de 16 válvulas. O carro não é ágil para o trânsito das cidades e não permite ultrapassagens rápidas. Ainda assim, o câmbio automático de quatro velocidades transmite conforto, pois as trocas de marcha são imperceptíveis.
Segundo a Citroen, a van acelera de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos e atinge velocidade final de 193 km/h. Difícil de acreditar. E a mesma dificuldade que o C8 tem para andar, ele tem para parar. Os freios parecem não ser suficientes para imobilizar o carro de 1.675 kg.
Na Europa, o modelo com motor V6 está disponível para o consumidor. Porém, o presidente da Citroen do Brasil, Sérgio Habib, afirma que a marca não tem intenção de trazer a opção para o País. ''A diferença de impostos inviabilizaria suas vendas'', acredita. Habib estima que o modelo com motor maior custaria quase R$ 200 mil no Brasil.


