Ibiporã - Um automóvel simples, compacto e com um design que foge ao comum. Escolher características que definam um Buggy, ou que justifiquem o seu sucesso, é algo difícil. Possivelmente nem mesmo o americano Bruce Meyers, a quem se atribui a invenção do carro, em meados dos anos 1960, imaginava que o modelo sobrevivesse por tanto tempo. No entanto, ele tem atravessado gerações.
Um exemplo clássico de ‘’bugueiro’’ é o auxiliar administrativo de Ibiporã, Franck Douglas Gianjacomo. Sob os seus cuidados está um Buggy BRM, com fabricação datada de 1965.
A relação entre homem e máquina, nesse caso, não nasceu de uma forte paixão nutrida desde a infância, como costuma ocorrer com antigomobilistas, mas de uma necessidade. ‘’Sempre gostei da sensação de ar livre que as motocicletas proporcionam por se estar de cara para o vento, mas como não é muito seguro, optei por um Buggy, que é capaz de causar a mesma sensação’’, afirma.
Gianjacomo explica que decidiu que teria um Buggy de fato há cerca de seis anos, após chegar ao consenso com a esposa, Heloísa Damázio. ‘’Na época que começamos a procura ainda não éramos casados, mas os dois tinham vontade de ter um buggy’’, lembra.
O Buggy chegou há quase quatro anos na casa dos Gianjacomo. Nesse período, foi reformado e participou da festa de casamento, há cerca de um ano, sendo o meio de transporte que levou os noivos até a chácara onde foi realizado o evento. O auxiliar administrativo faz questão de ressaltar que o local ficava na cidade vizinha de Jataizinho. ‘’O Buggy é tão bom que aguenta algumas viagens e costumamos passear com ele. Podemos dizer que quando chegamos, o Buggy dividiu a atenção com os noivos’’, brinca.
Como um carro comum, o BRM 65 tem itens básicos e obrigatórios de segurança, como os cintos e seta. Os faróis também estão em perfeito estado. No mais, a mecânica é simples, o motor é 1.500, o mesmo do Fusca, já o carburador é simples. Numa tentativa de poupar bateria, foi instalado um alternador. ‘’Quando comprei tinha umas adaptações, mas durante a reforma tentei voltar ao original para preservar a história do Buggy’’, alega.
Apesar de compacto, o carro tem capacidade de aguentar até 1.110 quilos e possui um tanque de 35 litros.
Entre as mudanças mais significativas está a troca dos bancos, que eram de Fusca e hoje são o mais semelhante possível dos utilizados nos BRM daquela época. Também os para-brisas tiveram que ser trocados, bem como algumas peças que compunham o motor.
Apesar da tentativa de manter o automóvel com a cara dos anos 60, chamam a atenção no veículo alguns acessórios como o sistema de som e ainda a tapeçaria náutica, escolhida a dedo já que por não ter nenhuma proteção especial, o Buggy acaba ficando exposto a chuva.
Outro detalhe importante da reforma se refere a antiga cor do veículo, que passou de rosa para vermelho royal. ‘’Nada contra rosa, mas o vermelho royal é mais bonito e nós dois usamos sem problema.’’
Devido ao seu design, inegavelmente um Buggy é capaz de fazer muito sucesso, sobretudo com crianças. E Gianjacomo comenta já estar acostumado a atender aos pedidos para olhar ou mesmo dar uma volta. Para ilustrar a atração infantil pelo automóvel, ele cita a filha Lorena, que tem pouco mais de um ano. ‘’Hoje ela sabe onde fica o Buggy e todo dia antes de dormir é preciso dar uma volta com ela’’, conta.
Pesando em média 750 quilos e fazendo de oito a nove litros de gasolina o veículo ainda necessita de uns retoques, mesmo assim Gianjacomo diz que os aproximadamente R$ 7 mil já investidos valem muito a pena. ‘’Nada se compara ao prazer que tenho com esse automóvel. E todos em casa amam o Buggy.’’

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