O consumidor brasileiro está menos satisfeito com seus veículos do que compradores de mercados globais como Reino Unido, Alemanha e Canadá. É o que indica o Vehicle Ownership Satisfaction Study (VOSS-Brasil 2013) - ou Estudo de Satisfação de Propriedade de Veículo, em livre tradução -, divulgado recentemente pela consultoria J.D. Power.
O levantamento analisou características como qualidade do veículo, satisfação com design e desempenho, experiência com pós-venda e satisfação com o custo de propriedade.
Foram ouvidos cerca de 8 mil brasileiros que adquiriram seus automóveis num período de 12 a 36 meses antes da pesquisa. O estudo usa como unidade de medida "Problemas por 100 Veículos" - ou PP100 - e compara o número de problemas elencados pelos consumidores de diferentes mercados. Enquanto os consumidores do Reino Unido somaram uma pontuação de 204 PP100 e os do Canadá e da Alemanha, 230, os brasileiros chegaram a 352 PP100.
Diretor geral da J.D. Power no Brasil, Jon Sederstrom explica que para se chegar a esses números, o processo envolve um questionário com 90 quesitos e seus problemas possíveis. "Cada participante apontou defeitos que seus veículos tenham apresentado. Depois levantamos questões como a severidade e quando ocorreu a volta à concessionária", diz.
O estudo utilizou 29 veículos que são produzidos nos mercados avaliados. Também os problemas citados no questionário são os mesmos para garantir números confiáveis à pesquisa. Detalhe curioso é que os problemas mais citados pelos motoristas brasileiros foram relacionados a motor e transmissão, com 58 pontos dos 352 PP100.
Sederstrom ressalva que na análise dos números devem ser consideradas as questões culturais, a condição das ruas brasileiras e até mesmo o estilo de direção dos motoristas antes de cravar quais são os motivos para os veículos gerarem tanta insatisfação aos consumidores locais. Porém outros dados do estudo atestaram que a insatisfação brasileira é uma tendência. "Analisamos também apenas os veículos produzidos no Brasil em comparação com os importados vendidos aqui e novamente o índice de insatisfação do brasileiro foi grande", indica o diretor da J.D. Power.
De acordo com os dados, enquanto carros produzidos no México, Coreia do Sul e Argentina apresentam, em média, 310, 314 e 333 PP100, os carros fabricados no Brasil têm um índice de 356 PP100, ficando atrás apenas dos automóveis chineses, com 389 PP100.
Sederstrom enfatiza que as justificativas são amplas, mas que é nítido o fato de que os automóveis do mercado nacional têm qualidade inferior aos importados e isso tem incomodado o consumidor.
Outro resultado relevante da pesquisa foi a forte relação entre a intenção de recompra futura e o aumento do número de problemas reportados. Cerca de 39% dos proprietários que responderam ao estudo que não tiveram problemas disseram que definitivamente recomprariam veículos da mesma marca, enquanto 21% dos participantes que reportaram três ou mais problemas disseram o mesmo.
Para Sederstrom, embora a indústria automobilística brasileira tenha apresentado melhoras, uma mudança nos números deve levar alguns anos. "Essa mudança é de médio a longo prazo. Embora a indústria tente melhorar, deve levar um tempo para que os números melhorem", avalia.
Procurada pela FOLHA para comentar os resultados do estudo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou, por meio da assessoria de comunicação, que seu presidente, Luiz Moan, não poderia atender a solicitação devido a um compromisso.

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