Brasil terá que buscar formas de absorver produção
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 1998
Agência Estado 
O Brasil precisa buscar uma forma de conviver com o excesso de capacidade de produção de veículos, que pode passar de 50% a partir do ano 2000, quando todas as montadoras estiverem concluindo os projetos de instalação ou ampliação das atividades no País. Este foi um dos principais pontos de discussão do primeiro dia do seminário Mercado Automobilístico - Reposicionamento dos Diversos Players do Setor no Cenário Mercosul, que reuniu em São Paulo especialistas de montadoras, fornecedores, revendedores e governo.
Entre as previsões mais pessimistas está a do presidente da indústria de autopeças Dana, Ruperto Jimenez, para quem o setor terá condições de produzir 3,5 milhões de veículos quando o mercado ainda estiver absorvendo 2 milhões.
Jimenez lembra que em todo o mundo já existe hoje excesso de produção de 30%. O gerente de compras da General Motors, Franciso Satkunas, previu que haverá uma guerra de preços quando o setor alcançar sobra de capacidade.
Para o consultor Rogério Aun, vice-presidente da ATKearney, o excedente de capacidade produtiva de veículos no Brasil será de 30% a partir do ano 2000. Segundo ele, as empresas vislumbraram as oportunidades de um mercado que dobrou entre 1990 e 1998. Decidiram investir. Mas não estão fazendo isso de olhos fechados.
Para Aun, a opção pelo Brasil é bastante interessante na
comparação com o resto do mundo emergente. Ele lembrou, por exemplo, que a China, nas mesmas condições de potencial, não é tão interessante porque não possui um mercado tão maduro como o do Brasil. Além disso, lembrou, o Brasil tem reserva de demanda. Ou seja, com uma frota envelhecida e uma relação de habitantes por veículo alta, a demanda pode ser facilmente elevada por meio de redução de preço, distribuição de renda ou estímulos para renovação da frota.


