Parece até coisa de inventor maluco. O primeiro carro movido a ar do mundo já é real e em breve poderá ser visto andando pelas ruas e estradas brasileiras. O ''pai'' da invenção é o ex-engenheiro francês da Fórmula 1 Guy Nègre, que criou a Motor Development International (MDI), em 1991, em Luxembrugo, no sul da França.
O engenheiro desenvolveu um motor de dois cilindros capaz de funcionar unicamente com o ar comprimido. Com este motor, segundo a empresa, o carro pode atingir até 130 km/h de velocidade máxima, percorrer cerca de 300 quilômetros sem a necessidade de reabastecimento, e tudo isso com um custo médio de apenas R$ 4,00. Caso precise andar mais, o carro é equipado com um pequeno compressor a bordo que permite a recarga total em menos de 4 horas conectado a rede elétrica.
Quer mais? O carro movido a ar não polui - como não tem combustão não há contaminação - e tem manutenção barata (a troca de óleo - um litro de óleo de cozinha - é feita somente aos 50 mil km).
O MDI oferece também ar condicionado de série, sem compressor especial. A temperatura do ar purificado que sai do escape está entre 0ºC e -30ºC, o que permite assim, a utilização para o próprio sistema de refrigeração do carro.
Construído com chassi tubular, o MDI é simples e apresenta um design, senão agradável, atual. Sua estrutura externa é feita de fibra de vidro e as peças são coladas e não soldadas, como na tecnologia aeroespacial, que reduz o tempo de montagem e o peso total do veículo, que é de 700 kg. Traz porta lateral corrediça e pode transportar até cinco pessoas ou 450 quilos de carga.
Por dentro, o MDI não traz velocímetros ou outros marcadores analógicos. Todas as informações sobre o veículo e o seu funcionamento são repassados ao motorista através de um pequeno computador no painel. O sistema permite adaptações para sistemas de telefonia celular e de posicionamento por satélite (GPS), programas personalizados para frota, para pedágios, sistemas de segurança e até automatização de funções.
O sistema elétrico do carro traz um único cabo, que indica via computador as funções elétricas a serem ativadas ou desligadas como os faróis, pisca alerta. A inovação permitiu também a ativação da partida através de uma chave elétrica digital. O câmbio tem apenas duas marchas, para frente e a ré.
A MDI oferece ainda quatro tipos de carroceria. Um táxi inspirado nos de Londres; uma van; uma pick-up; e um modelo familiar.
No momento, o carro MDI está em fase de certificação para rodar em estradas. O modelo já teve sua apresentação oficial para a imprensa e convidados em Barcelona (Espanha), no ano passado. O veículo, ainda protótipo, começa a ser fabricado oficialmente em abril de 2002 na França. No Brasil só deve chegar em 2003.
No Brasil, a empresa chegou a fazer uma apresentação do projeto em São Paulo em outubro deste ano, mas não foi possível ver o carro muito menos andar nele. Segundo a MDI, problemas burocráticos de alfândega impediram a importação do veículo para o Brasil.
Sem a apresentação prática do motor ou do veículo, alguns céticos ainda desconfiam do invento de Guy Nègre. A dúvida é quanto a capacidade do pequeno motor bicilíndrico de 30 cv de potência e de 6 kgfm de torque de empurrar, em uma pequena subida, os 700 kg do veículo e outros 500 kg de capacidade máxima de carga a uma velocidade máxima próxima dos 130 km/h como promete a empresa.
Na Internet, a MDI mostra os detalhes de funcionamento, de venda, curiosidades e até pequenos vídeos onde mostra o veículo em funcionamento. A empresa até faz questão de sugerir o preço para o mercado brasileiro: R$ 18 mil. O endereço é www.motormdi.com (em português).

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