Honda HR-V apenas 8,8% de desvalorização após um ano de uso
Honda HR-V apenas 8,8% de desvalorização após um ano de uso | Foto: Gustavo Carneiro



Aceitação do mercado, design, inovação tecnológica, boca a boca do consumidor. Estes são alguns fatores que influenciam no percentual de desvalorização de um veículo. Mas saber se aquele modelo que você comprou zero km estará bem cotado na hora de vender não é uma tarefa muito simples.

Se o quesito 'preço de revenda' for decisivo para a compra, o Selo Melhor Valor de Revenda 2017, feito pela Agência AutoInforme, pode ser um indicador. A certificação está na sua quarta edição e este ano apontou, pelo segundo ano consecutivo, o utilitário esportivo Honda HR-V como o modelo com menor desvalorização, com um índice de depreciação de 8,8% após um ano de uso.

O estudo analisa o valor praticado do carro zero km comparando-os com o preço desse mesmo carro 12 meses depois, portanto com um ano de uso. Foram avaliadas 19 categorias, duas a mais do que o ano passado: Picape Compacta, tendo como vencedora a Fiat Toro (9,3% de depreciação), e Elétricos e Híbridos, cujo vencedor, o Toyota Prius, obteve índice de 11,3%.

Seis carros receberam o selo pela quarta vez seguida em suas categorias. Os tetracampeões são: Chevrolet Ônix (9,2%), Volkswagen Golf (12%), Honda Fit (9,7%), Toyota Hilux (14,2%), Hyundai HB20S (10,2%) e Toyota Corolla (9,3%). A pesquisa considerou os 120 modelos zero km mais vendidos, de 24 marcas.
Apesar de registrarem índice de depreciação menor, seis carros pioraram suas posições em relação a edição de 2016. Foram os Volkswagen Up, Chevrolet Onix, Volkswagen Golf Variant, Toyota Hilux e o Volvo XC60.

O grande vencedor deste ano, o HR-V, também não ficou imune a queda. Em 2016, o índice era de 4,5% e este ano ficou em 8,8%. Por outro lado, o Golf, Honda Fit, o Hyundai HB20S, o Honda City e o Toyota Corolla, além de Mercedes-Benz A200, Volkswagen Saveiro, Ford Fusion e Jeep Compass evoluíram em relação à edição passada.

De acordo com a AutoInforme, essas variações negativas são pequenas, mas é um sinal de alerta aos fabricantes e importadores porque o valor de revenda é um dos principais atributos levados em consideração pelo consumidor na hora da compra do zero.

O presidente da Assovepar (Associação de Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Paraná), César Lançoni Santos, comenta que a consolidação do preço de revenda está ligado a aceitação do mercado. "Tem a ver com inovação, aceitação e design. Se um design agrada esse carro se mantém forte no mercado e a sua depreciação diminui", disse.

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FORA DE LINHA
O valor de revenda de modelos que já saíram de linha e ainda se mantêm em alta, também está associado com a evolução tecnológica e os preços dos zero km. Santos comentou o caso do Chevrolet Celta e do Ford KA. O modelo da GM saiu de linha para dar lugar ao Onix, um sucesso de vendas no zero km e também vencedor na categoria hatch. Apesar do sucesso de seu sucessor, o Celta mantém um bom preço de revenda, porque o preço final do zero fica incompatível com o bolso do consumidor.

"O Ford KA zero, por exemplo, sai mais de R$ 30 mil por causa das tecnologias, um KA seminovo fica na casa dos R$ 20 mil. Você pode ter um carro mais completo com um pouco menos de tecnologia. Isso faz com que casos como KA, UNO, Pálio, Celta, mantivessem o preço original", avaliou o presidente da entidade.

EM BAIXA
Santos enfatiza que a desvalorização existe em todas as versões e categorias, algumas mais do que outras. Mas o que consumidor deve levar em conta é, primeiro o seu gosto pessoal, depois o custo de manutenção e a queda de valor. "Carro é uma questão de gosto pessoal. Claro, que o consumidor deve estudar um pouco o mercado, mas deve também levar em consideração o que gosta", afirmou.

Os modelos SUV, principalmente médios e grandes, os sedãs apresentaram um índice de depreciação maior do que os modelos compactos e hatch. Na avaliação de Santos, isso está associado ao volume de novos modelos disponíveis no mercado. "A Jeep entrou forte e isso fez que tivesse uma tendência de baixa dos preços. Um modelo Jeep zero km chegou à casa dos R$ 85 mil e os modelos usados estavam entre R$ 80 mil e R$90 mil, o que provocou a queda mais acentuada dos modelos mais antigos", explicou.

Outro exemplo, é a Renault Captur que está competindo com a Duster. Por enquanto, a Duster ainda está mantendo o seu valor de revenda, mas Santos acredita que conforme a Captur ganhar mercado, a Duster pode ter uma desvalorização maior. "O mercado é competitivo e tem muito lançamento. É muito difícil dizer se um lançamento vai ter um percentual de desvalorização maior ou menor", disse.