Bom uso das tecnologias depende de motoristas conscientes
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domingo, 03 de fevereiro de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Freios ABS, airbag, computador de bordo, sistema Bluetooth, sensor disso, sensor daquilo. Está cada vez mais difícil elencar cada uma das tecnologias presentes nos veículos. De um modo geral, elas conferem mais conforto ao motorista e passageiros, mas também podem trazer alguns riscos se não forem bem utilizadas.
A evolução tecnológica, sobretudo dos automóveis fabricados no Brasil, tem se tornado cada vez mais aparente, principalmente nos últimos dois anos, conforme o diretor técnico da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), Marcus Vinícius Aguiar. "Estávamos atrasados com relação ao que se é feito lá fora como nos países europeus, mas o Brasil vem incorporando essas tecnologias e esse é um caminho sem volta", opina.
Aguiar pondera que essas novas tecnologias podem sim criar distrações e provocar acidentes já que no trânsito o tempo de reação diante de algumas situações é bem reduzido. No entanto, ele alega que as montadoras têm buscado formas de minimizar os riscos. Como exemplo, ele cita os aparelhos de comando de voz. "Hoje todo mundo tem celular então a indústria resolveu se adaptar. Já existem carros em que o motorista atende o aparelho sem precisar tê-lo na mão, o que é melhor e mais seguro", defende, alegando que assim o condutor pode manter as duas mãos no volante.
O técnico destaca que o maior problema da modernidade é a instalação de dispositivos em automóveis não preparados para tal tecnologia. "Algumas dessas tecnologias podem ser conseguidas em lojas de acessórios e muitas vezes o proprietário do automóvel não faz nem ideia se veículo não suporta aquele tipo de tecnologia, pois não foi preparado para isso", garante.
Para melhorar a qualidade dos veículos produzidos no País e tentar brecar possíveis problemas, principalmente com condutores que acabam instalando dispositivos de maneira irregular em seus automóveis, Aguiar lembra que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tem aprovado resoluções específicas. "O problema aí é que o Contran acaba fazendo a resolução apenas depois que a tecnologia já está nas ruas e não há como ser diferente. A fiscalização seria uma saída, mesmo assim não há como fiscalizar carro a carro", argumenta.
Mas como solucionar a questão e apenas usufruir dos benefícios desses equipamentos? Para Aguiar, não há segredo. Os motoristas devem ser melhor preparados e se inteirar das tecnologias existentes em um automóvel, tão logo o adquira. "É preciso criar uma consciência. O motorista brasileiro tem o mau hábito de não ler o manual do veículo e isso também precisa acabar", aponta.
O instrutor de curso especializado no Sest/Senat de Londrina André Vinícius Vieira segue a mesma linha de raciocínio de Aguiar e esclarece que antes de culpar a tecnologia por uma distração, cabe a quem está no volante se certificar do que pode lhe atrapalhar na condução do veículo. "Existem tecnologias que podem criar ruídos que atrapalham alguns motoristas. Esses mesmos dispositivos podem não afetar a condução de uma outra pessoa. Cada indivíduo tem que ter consciência do que deve ou não usar", aconselha.
Ele alerta também contra os riscos de uma instalação indevida. De acordo com o instrutor, utilizar uma tecnologia para a qual o automóvel não foi preparado pode não só gerar ruídos, mas também problemas elétricos e mecânicos, aumentando a possibilidade de acidentes.


