Bom para venda
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de junho de 2012
João Fortes<br> Reportagem Local 
Assim que sai da concessionária, o carro zero quilômetro começa a desvalorizar. Depois de alguns anos de uso o valor já é bem diferente de quando o veículo era novo, mas nem por isso o seu dono precisa fazer um mau negócio ao vendê-lo.
É claro que ser um motorista cuidadoso e um dono que se preocupa com todos os detalhes mecânicos e estéticos é o mais recomendável para manter o carro com cara de novo. Mas quem consegue ser assim nos dias de hoje, com tanta correria?
Por isso, antes de mostrar o veículo aos possíveis compradores, é interessante preparar o carro e, se for necessário, fazer alguns reparos.
Apresentação é fundamental, já que, obviamente, qualquer pessoa vai se encantar mais por um carro limpo e com a lataria em ordem do que por outro riscado e sujo. Uma boa lavagem e espelhamento podem resolver muita coisa por fora, mas alguns casos exigem conserto de amassados ou até mesmo pintura.
Segundo o gerente de seminovos da Caiuás Multimarcas, João Carlos Silvano, esses são procedimentos recomendáveis para quem vende, desde que haja transparência. ''Ele tem que ser verdadeiro e falar: 'aqui tinha um risco e pintei ou fiz um polimento', pois a pessoa que entende vai perceber. E a primeira coisa que alguém vê quando vai comprar um carro é o defeito'', observa.
De acordo com Witney Macarini, proprietário da No Risk, especializada em pintura e procedimentos de restauração e embelezamento de veículos, a maior procura pelos serviços da empresa é de clientes que pretendem vender o carro. ''Noventa por cento procura por pintura, para corrigir defeitos, mas nem sempre é necessário'', ressalta.
Além de pintura de lataria, espelhamento ou até a vitrificação, Macarini destaca um outro tipo de pintura que pode ser interessante para quem pretende vender um carro. É o que ele chama de pintura de embelezamento. Consiste, basicamente, em pintar as partes plásticas do carro para deixá-las como novas. ''Pode ser para-choque, maçaneta, painel, até limpadores de para-brisa. Esses plásticos vão perdendo a tonalidade com o tempo ou riscam. Como são porosos, a tinta penetra bem.''
Pneus carecas ou com muito desgaste também geram pontos negativos ao carro à venda e, dependendo da situação, trocá-los pode valer a pena para não correr o risco de perder um bom comprador. ''A pessoa pode trocar os pneus e incluir o gasto no valor do carro. O ideal é escolher marcas mais conhecidas e, principalmente, produtos novos, pois os recapados muita gente desconfia e não quer ter'', avalia o presidente da Associação de Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Paraná (Assovepar), Silvan Dal Bello.
Calotas em bom estado são outro detalhe que agrada a freguesia e pode ser preciso trocá-las também. Por dentro do carro, apenas lavar nem sempre resolve. Fazer uma higienização pode ser a solução para tecidos e carpetes manchados ou impregnados por cheiros indesejáveis, como o do cigarro.
''Fazemos a lavagem do teto, retiramos os bancos e os tecidos que vão para uma máquina especial de lavagem. Já os bancos de couro são lavados e hidratados. Dependendo da situação também pintamos com uma tinta própria para couro'', destaca Macarini.
Nos carros com ar-condicionado, também pode ser feita a higienização do equipamento. ''Fechamos o carro, ligamos o ar e soltamos um produto que tira as bactérias do ar'', explica Macarini.
Mas o que adianta comprar um carro limpo e bonito, que pode deixar o dono na mão devido a problemas mecânicos? Manter as revisões do veículo em dia é um cuidado básico e não deve ser esquecido apenas porque o automóvel será vendido. Para Silvano, um carro com as revisões em dia também é mais valorizado. ''O cliente tem uma segurança maior por saber que ele passou pela revisão'', diz.
O gerente também destaca a importância de checar a documentação do carro. ''Antes de vender, é sempre bom consultar o Detran para ver se não há multas ou alguma outra pendência'', orienta.



