Com as novas tecnologias, as máquinas passaram a ter participação significativa na construção e no desenvolvimento de um povo. No surgimento de Londrina, há exemplos disso. E um deles foi parar direto na garagem do mecânico Adriano Lourenço Inglês.
O Chevrolet 1951, na cor verde, foi encontrado por ele pela primeira vez há aproximadamente três anos na casa de um vizinho de bairro. Ali começou o ''namoro'' A compra, no entanto, só se deu cerca de um ano e meio depois, quando o mecânico encontrou o mesmo veículo em um ferro-velho em Ibiporã. Depois de tanta luta, recentemente o mecânico concluiu a reforma que inclui alterações significativas. ''Sempre fui apaixonado por carros antigos e por esse caminhão, mas quando o comprei decidi que iria deixar tudo ao meu gosto'', justifica.
Entre as mudanças estão o deck do caminhão que era de ferro e passou a ser de madeira. Já o sistema de freio cuíca - que proporciona o acúmulo de ar numa espécie de depósito deixando a freada mais macia - foi modernizado com adaptação do cilindro-mestre do Ford Fiesta. Os vidros também foram substituídos por redes de proteção que ganham reforço de uma lona aclopada a parte superior do veículo.''Fui pesquisando e passei por vários modelos americanos. Coletei um pouco de cada um deles de acordo com as minhas preferências'', alega o mecânico, que aproveitou suas habilidades para cuidar de toda a restauração. ''Fiz quase tudo, até a pintura ajudei a lixar'', afirma.
Popularmente conhecido como ''Boca de Sapo'' pelo formato de sua dianteira, o caminhão quatro marchas se notabiliza por sua força com a (marcha) reduzida no diferencial traseiro. Já quanto à velocidade, o próprio dono atesta que o veículo não foi feito para correr. ''Ele é um caminhão que ajudou muito em construções na sua época, fiquei sabendo que este foi usado para transportar lixo muito antes do aterro de Londrina. Para quem gosta, como eu, estar a 40 (km) por hora neste caminhão é o mesmo que estar a 120 numa Ferrari'', defende o apaixonado mecânico.
Outra preferência de Inglês, que fica evidente no veículo, é a alteração nas suas dimensões. A carroceria que o transformava em um caminhão três quartos foi tirada e ficou apenas o ''cavalinho'', novamente copiando alguns modelos americanos.
Um misto de paixão por antigomobilismo e por diferentes caminhões deu a Inglês a chance de transformar o veículo por meio de seu conhecimento em automotores. O resultado é um veículo de estilo inconfundível, que desperta curiosidade e lembranças por onde passa. ''Esses dias estava na rua e um senhor me parou e começou a chorar dizendo que se lembrava do tempo em que guiava um assim. Quem ama carro antigo sabe que isso não tem preço'', diz.

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