Boa parte dos motoristas ainda despreza cinto de segurança
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sábado, 04 de agosto de 2001
Maigue Gueths 
Quase seis anos após o Paraná ter adotado a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança não apenas em estradas, mas também em vias urbanas, ainda é grande o número de motoristas e passageiros que teimam em não usar o dispositivo.
Levantamento feito pelo Siate do Corpo de Bombeiros em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, em 1999, revelou que apenas 64% dos motoristas usavam cinto de segurança. O mais grave é que os números sobre autos de infração aplicados pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e órgãos municipais de trânsito apontam para um crescimento neste tipo de infração.
Infelizmente os números mostram que o cinto não virou um hábito, diz a diretora de operações do Detran, Elaine Kawa. Em 1996, primeiro ano de vigência da Resolução nº 108/95 do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), editada em setembro de 1995, o Detran-PR registrou 15.673 infrações em todo Estado, número que caiu para 9.496 em 1997, depois de campanhas educativas e fiscalização intensa nas ruas.
Com a edição do Código de Trânsito Brasileiro, instituído através da Lei 9.503 de 23 de setembro de 1997, e em vigor deste janeiro de 1998, uma intensa campanha de educação no trânsito tomou conta no País. As ameaças de multas e contagem de pontos, que poderiam levar à perda da carteira de habilitação, fizeram com que a população tomasse mais cuidados no trânsito. Com isso, as estatísticas apresentaram uma pequena queda em 1999 em relação a 1998. Dados do Detran-PR e da Diretran de Curitiba mostram que o número de motoristas autuados sem cinto de segurança caiu de 13,5 mil para 10 mil neste período. Nestes números, entretanto, não estão incluídas as infrações cometidas em Foz do Iguaçu e Londrina, registradas pela Foztrans e CMTU respectivamente e não computadas pelo órgão estadual de trânsito.
A partir de 2000, a população voltou a seus velhos hábitos, registrando um aumento de 60% nas infrações em relação ao ano anterior. E o pior é que os números deste ano já mostram que este crescimento deve continuar, diz Elaine Kawa.
Entre janeiro e maio o órgão já registrou 4.759 infrações no Estado, com exceção das cidades de Curitiba, Foz e Londrina.
A gerente de operações da Diretran Curitiba, Léa Hatschbach, acredita que, pelo menos na Capital os números não são tão pessimistas. Nossa média era de 400 infrações por mês em 1998, e este número hoje deve estar em menos de 300, calcula, discordando da avaliação do Detran.
Segundo o médico do Siate de Curitiba, Edson Vale Teixeira Junior, historicamente é comum, em todo mundo, haver uma queda no respeito às lei com o passar do tempo. Num primeiro momento, 80% a 85% cumprem a lei, depois cai para 50%, até estabilizar em cerca de 60%, diz.
Mesmo nos Estados Unidos, de acordo com ele, só 70% usam o cinto de segurança, sendo que apenas países nórdicos, mais avançados, conseguiram chegar a uma taxa de 96% de uso.


