BMW comemora centenário de trajetória diversificada
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sábado, 12 de março de 2016
France Presse 
Munique - A mais conhecida fabricante de automóveis de luxo, a BMW, completou cem anos na última segunda-feira, marcada pela história da Alemanha e uma trajetória surpreendente que começou com a fabricação de motores de aeronaves. Para comemorar, a marca apresentou esta semana o BMW Vision Next 100, um conceito que coloca em prática um pouco do que a companhia acredita que será o futuro da mobilidade nas próximas décadas.
Ele combina as formas de um cupê esportivo com a elegância dinâmica de um sedã. Porém, trata-se de um veículo totalmente customizável, adaptado para atender às necessidades do condutor. As interações condutor-automóvel são geridas por um sistema denominado "Alive Geometry". Os modos Boost (Propulsão) e Ease (Facilidade) oferecem, respectivamente, autonomia de condução ao motorista ou ao próprio veículo, sendo que o interior do veículo pode configurar-se automaticamente de acordo com o tipo de comando escolhido.
No Boost, todo o gerenciamento do veículo é centralizado no condutor, oferecendo auxílio necessário para maximizar a experiência de condução, indicando, por exemplo, o mehor traçado da pista, o manejo da direção e velocidade ideais. Acionando o modo Ease, o interior do habitáculo se transforma: o volante e o console central recolhem-se e os encostos de cabeça, os assentos e a guarnição interna das portas giram para os lados criando um ambiente integrado para que o condutor e passageiro fiquem sentados frente a frente.
A empresa, que se tornou um dos símbolos da indústria alemã, nasceu em 7 de março de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial como "Fábrica Bávara de Aviões" (Bayerische Flugzeugwerke).
Pouco depois, após a derrota da Alemanha, o Tratado de Versalhes de 1919 proibiu o país de fabricar aviões, razão pela qual a empresa precisou se reinventar.
Em 1922 foi refundada com o nome de Bayerische Motoren Werke (Fábrica Bávara de Motores), e adotou o logotipo azul e branco em forma de hélice, um emblema que combina as cores do estado alemão do qual se origina e seus primeiros passos no setor da aviação. "Aquilo pelo qual a BMW é mais conhecida hoje em dia, os carros, é o que veio por último para completar seu portfólio de atividades", relata Manfred Grunert, historiador da empresa.
Atualmente, a companhia fabrica os carros de luxo e as motos da marca, os caríssimos Rolls-Royce, os elegantes Mini, e conta com 30 fábricas em 14 países, empregando cerca de 116 mil funcionários e em 2014 teve um volume de negócios 80 bilhões de euros.
Depois de lançar seu primeiro modelo de motocicleta em 1923, a BMW lançou-se na fabricação de carros em 1928 com a compra de uma fábrica em Eisenach, no centro da Alemanha.
Na década de 1930, criou o berlina 326 e o conversível 328, e desenvolveu seu próprio estilo, com a grade que se tornou o distintivo da marca. Durante o regime nazista, a marca contribuiu para a indústria armamentista e voltou às suas raízes fabricando motores de aeronaves. A partir de 1939 a empresa utilizou milhares de prisioneiros de guerra e presos de campos de concentração em suas fábricas, um capítulo obscuro de sua história que permaneceu mudo até os anos 1980.
Quando a guerra terminou, a empresa já não era nem a sombra do que havia sido e sobreviveu fabricando eletrodomésticos. A produção de motocicletas foi retomada em 1948, e a de carros em 1952, mas o sucesso demorou. Em 1959, os graves problemas financeiros ao longo da década levaram a empresa à beira de ser absorvida pela sua rival, Daimler-Benz, mas um grupo de acionistas se rebelou.
Um deles, Herbert Quandt, filho de um industrial muito conhecido, salvou a marca com uma injeção maciça de capital. "Sem o seu empenho, a BMW seria hoje uma fábrica da Daimler", estima Grunert. A família Quandt é ainda hoje uma das maiores acionistas da BMW, com 47% das ações.
No entanto, o nome Quandt também está associado ao período nazista, já que o pai de Herbert, Guenther Quandt, foi casado com a que se tornaria a esposa de Joseph Goebbels e que aproveitou o espólio de comerciantes judeus para fazer negócios.
Na década de 1960, a BMW garantiu vários sucessos com modelos berlina e lançou o slogan "prazer de conduzir".
O seu presidente entre 1970 e 1993, Eberhard von Kuenheim, foi quem deu o passo para a internacionalização da marca. Na década de 2000, a marca aventurou-se além das berlinas com 4x4 urbanos e alguns modelos compactos e, em seguida, tornou-se o precursor da indústria alemã de carros elétricos, com o modelo BMWi3, um carro 100% elétrico.


