Blindagem chega ao carro médio
Há três ou quatro anos, carros blindados estavam destinados às famílias mais abonadas do país. Com o aumento da violência urbana contra a classe média e média-alta, os blindados passaram a integrar também a lista de consumo de outros segmentos da sociedade. No Paraná não há empresas fazendo blindagem no momento, mas as empresas de São Paulo informam que possuem clientes paranaenses.
A explicação para o crescimento dos blindados números não oficiais apontam de 2,8 mil em 1999 para 4 mil em 2000 no Brasil está na mudança do perfil das vítimas. Antes, quem corria mais risco eram os grandes empresários, conhecidos pela fortuna e pelos belos carros.
Hoje a situação mudou bastante. Não precisa ter milhões na conta para ser abordado no sinal. Pelo contrário, as maiores vítimas são aqueles que não têm uma poupança forte, não andam com seguranças nem têm motorista com curso de direção defensiva. Os ricos são escoltados por um time de primeira, armado até os dentes e prontos para reagir.
Olhando a cena de fora, fica fácil imaginar quem se tornou a vítima ideal e a razão para o crescimento do mercado dos blindados populares. Segundo Anderson Budai, diretor da S.Line Armoring, blindadora localizada em São Paulo, pode-se dizer que a procura por blindagem de carros como Golf, por exemplo, aumentou muito nos últimos quatro anos.
Antigamente se blindava BMW, Mercedes e Audi. Hoje o trabalho é feito em todos os carros da família. As pessoas estão com medo da violência, explicou Budai, que nos últimos quatro anos pulou a confecção de blindados de 5 para 25 por mês.
José Eduardo Cortez, diretor da Sulam Blindagem, garante que o aumento da procura pelos carros de aço se deve pela opção dos ladrões. Bandido não escolhe mais pela marca, mas pela oportunidade.
Cortez disse ainda que até 1999 a elite era a grande responsável pelos pedidos de confecção de carros blindados. No último ano a procura se mesclou bastante. Carros como Golf, Vectra e até o novo Bora estão sendo blindados com bastante frequência.
Para ter uma proteção extra e dirigir mais tranquilo, o proprietário de um Golf, por exemplo, carro médio que pode custar de R$ 29 mil a R$ 53 mil, precisa desembolsar na Sulam US$ 25 mil. Pelo valor, além do aço balístico 3 mm, leva para casa vidros com 21 mm, que aguentam o impacto de cinco tiros de um revólver calibre 44.
Marcelo Carneiro, diretor da Central Brasileira de Blindados e Segurança, de São Paulo, também acredita que a possibilidade de blindar carros de menor valor e o aumento da violência contra a classe média alta sejam os responsáveis pelo crescimento do mercado de blindados. Com a dificuldade de assaltar o topo da pirâmide, os marginais migraram para outro segmento.
Para Amaury Belmonte, diretor comercial da paulista OGara-Hess & Eisenhardt, a classe média-alta também precisa de uma proteção a mais. Pela falta de segurança, as pessoas estão recorrendo aos carros blindados. Mas vale ressaltar que é muito importante prestar atenção na diferença dos preços. Milagre ninguém faz, afirma, referindo-se ao grau de proteção dos blindados, que diminuiu junto com os preços.





