Em 1957 foi produzida pela primeira vez uma picape no Brasil. A F-100 era um veículo grande, sem conforto nenhum e destinada ao trabalho pesado. Hoje, muitos anos depois e com algumas mudanças, os utilitários ganharam as ruas das grandes cidades e o gosto dos motoristas, que usam os veículos para andar sem muito peso e nem em estradas esburacadas.
Ao longo dos anos, as picapes agregaram ao valor de utilitário, o valor de liberdade, segurança e beleza. Características essas, aliadas ao conforto, despertaram o interesse das pessoas. No Brasil, 10% da frota automobilística é de caminhonetes. Nos Estados Unidos, elas já são 50% do total.
Carlos Leite, gerente de Marketing Picapes da Ford, diz que o sucesso dos utilitários está na idéia de liberdade e aventura. ‘‘Além de ser um carro alto, com boa visibilidade e que transmite mais segurança ao motorista, quem tem picape tem a sensação que pode tudo, que passa em qualquer lugar e ninguém bate. Na caçamba o motorista leva seus sonhos’’, explica.
A teoria de Leite se confirma. Muitos motoristas nunca carregaram nada na caçamba e nem enfrentaram chão de terra, buracos e peso extra, finalidades para quais as picapes foram originariamente desenhadas.
A verdade é que as caminhonetes ficaram tão bonitas e confortáveis, que quem vive na cidade, não enfrenta poeira, chão desnivelado e nem carrega carga, se sentiu atraído pelos grandes pneus, espelhos robustos e reforçados pára-choques.
‘‘O intuito é que as pessoas se sintam como se estivessem em carros, não dentro de picapes’’, justifica Leite, acrescentando que as fábricas deram ao consumidor o que ele queria e necessitava.
E foi justamente a necessidade dos motoristas da cidade que levou a GM a produzir em 1995, a primeira picape compacta. ‘‘Quando lançamos a S-10, tentamos passar mais conforto, um design esportivo. E era isso que os motoristas queriam: caminhonetes menores, que cabiam nas garagens das grandes cidades’’, explica Nelson Yoshimura, gerente de Marca de Picape e Utilitários Esportivos da GM.
Yoshimara acresenta ainda que a imagem que as picapes passam também conquista muitos motoristas. ‘‘A robustez, o maior domínio da estrada, a imagem de força, tudo isso atrai muita gente’’.
Emílio Paganoni, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Chrysler, diz que as caminhonetes ficaram mais adaptadas às cidades. ‘‘Mudou-se a idéia de que são veículos só para trabalho. O uso ficou misto’’.
A facilidade de dirigir também é uma das características que conquistou mais consumidores. ‘‘Elas ficaram mais luxuosas, urbanóides, ótimas para dirigir na cidade’’.

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