Aventura e companheirismo
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de novembro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local
O vento contra o rosto, a sensação de liberdade e a companhia de quem nutre a mesma paixão: motocicleta. São essas as experiências pelas quais passam os membros de motoclubes. Em Londrina, diversos grupos se reúnem para celebrar esse amor pelo veículo. Exemplos disso são os Pés-Vermelhos e os Abutres.
Cada um com suas características e regras próprias, os motoclubes despertam curiosidade e intrigam quem não está filiado a um deles. Afinal, o que define o estilo de vida dessas pessoas?
O músico Ricardo Pigatto, proprietário de uma Harley Davidson Heritage 1.600cc, é atual presidente dos Abutres em Londrina. Ele lembra que na cidade o clube começou em 2003 e hoje conta com 13 membros. Diferentemente de alguns clubes, para pertencer ao Abutre não há especificação de marca ou potência da moto. ''Nosso estilo é o custom, mas não há determinação de cilindrada. Já o uso do colete, ao sair de motocicleta ou entre outros motociclistas, é fundamental'', resume.
Há quem ligue os motociclistas àquelas gangues violentas que saqueavam as cidades, retratadas principalmente nos filmes de Hollywood. Pigatto defende, porém, que essa visão não condiz com a verdeira mensagem que esses grupos querem passar. ''Todos nós temos profissão, família e uma vida fora daqui. Quando estamos juntos prezamos pelo companheirismo. Essas são pessoas com as quais posso contar.'', afirma.
O projetista Diogo Candia está nos Abutres há um ano e meio e diz que a amizade entre os membros o motivou a integrar o clube. Dono de uma CB 400, ele garante que há motos menos e mais potentes do que a dele entre os participantes, mas em caso de quebra na estrada todos param. ''Aqui somos mesmo uma família e quando viajamos se um tem algum problema a viagem não segue até que o tenhamos resolvido. afirma.
A parceria entre os filiados, a visita aos encontros específicos de motociclismo e as festas quase sempre restritas só aos homens são só algumas das semelhanças entre os Abutres e os Pés-Vermelhos. Este último, porém, apresenta suas diferenciações.
Um dos membros mais antigos do motoclube, o consultor de imóveis Nivaldo Creado conta que as reuniões são mais antigas, mas oficialmente os Pés-Vermelhos surgiram em 1997. ''Exigimos uma cilindrada mínima de 250 e estamos pensando em subir para 500, porque quando se pega uma estrada é preciso ter uma moto que dê segurança, principalmente nas ultrapassagens'', justifica.
Aliás, segurança é um dos itens mais enfatizados pelos 35 membros da instituição. ''Na estrada você precisa de segurança e a cilindrada da moto mais o andar em grupo proporcionam tudo isso'', defende Creado, que é motociclista há quase 40 anos e hoje tem uma Bandit 650.
Nas viagens pelo mundo, em cada lugar é possível fazer um grupo de amigos. Na maioria das vezes, o que une essas pessoas é simplesmente o gosto em comum por motocicleta.