Sim, é uma picape como outra qualquer. Tem caçamba, é alta, grandalhona e pesada. Por fora, não há como negar o estilo. Porém, basta entrar e acelerar a S10 de cabine dupla com motor a gasolina, que motorista e passageiros terão a sensação de estar em um automóvel de luxo.
E é justamente esta união, do trabalho pesado com o conforto, a maior vantagem da S10 2.4, avaliada pela Folha Carro & Cia. Resumidamente, a picape da GM oferece um ótimo espaço interno e um bom desempenho, mas peca pelo alto consumo e pela simplicidade do acabamento.
Os pontos positivos da picape são realçados ainda pelo preço de venda do modelo, bem inferior aos modelos que utilizam diesel. A S10 2.4 de cabine dupla nova custa, em média, R$ 41 mil, ou cerca de R$ 20 mil a menos que a mesma versão equipada com motor a diesel. Como rival, a S10 2.4 encontra a Ford Ranger, com motor 2.3 e preço médio de R$ 43 mil; e a Toyota Hilux 2.7 16V, por R$ 48 mil.
O motor 2.4 de quatro cilindros gera 128 cavalos de potência e 21,4 kgfm de torque. São números 14% maiores em relação ao motor 2.2 antigo que equipava o modelo, mas menores ainda que a concorrência. Como comparação, a Ranger oferece 137 cv e 21,2 kgfm, e a Hilux 142 cv e 23,2 kgfm.
Além do aumento da cilindrada, a GM passou a usar cárter (reservatório de óleo do motor) de alumínio, o que serviu para reduzir bastante o nível de ruído, dando a impressão de estar dentro de um automóvel.
Mesmo sendo o menos potente da categoria, o motor aguenta bem o peso da S10. Ao pisar no acelerador, as respostas são ágeis e transmitem mais segurança durante as ultrapassagens. A suspensão é macia e evita os solavancos mais duros. Na estrada, essa mesma maciez é um tanto quanto exagerada, o que deixa o carro ''mole'' na curvas.
A S10 vem equipada de série com direção hidráulica e freios ABS nas rodas traseiras. Ar condicionado, air bag duplo, ABS na dianteira e distribuidor de frenagem (EBD) são itens opcionais. A picape da GM é também a única a oferecer imobilizador eletrônico de série (equipamento que evita o roubo do veículo).
Por dentro, a picape traz espaço suficiente para até cinco pessoas. Quem senta atrás percebe logo a diferença, já que não encostam os joelhos nos bancos da frente.
Já a simplicidade interna é motivo de críticas. O painel e o volante apresentam linhas ultrapassadas e interruptores um pouco grosseiros, se comparadas aos rivais. A padronagem dos tecidos dos bancos e das portas também são passíveis de críticas. A melhor vantagem está no piso: é plano na frente e revestido com material emborrachado que facilita as limpezas, principalmente após um dia de trabalho na terra.
O consumo da S10 é elevado. Para transportar todo o peso da picape, sem prejuízos no desempenho, o motor precisa ''beber'' um pouco mais de gasolina do que um carro comum. No trânsito da cidade, a média da picape obtida pela reportagem ficou em torno dos 6,5 km/l. Na estrada, ela faz um pouco mais: 8,8 km/l.

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