Avaliação rigorosa
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domingo, 08 de janeiro de 2012
João Fortes Reportagem Local 
Para muitos, comprar um carro usado ou semi-novo ainda é o melhor negócio. Mas também pode ser um grande transtorno, se alguns cuidados não forem tomados. Avaliar bem as condições de lataria, pneus, desgaste de alavanca de câmbio e volante, além do funcionamento do motor são medidas básicas, mas não dizem tudo sobre um veículo.
Já imaginou comprar um carro e depois, na hora de revender, descobrir que ele foi clonado ou até mesmo roubado e sofreu adulterações de identificação? Para descobrir irregularidades como essas, o ideal é procurar o serviço de vistoria cautelar de veículo.
Foi o que fez o comerciante Alicio Batista Paiva quando resolveu comprar uma camionete Chevrolet S10 usada, há três anos. Ele só não imaginava que teria que fazer três tentativas até encontrar um carro que não apresentasse irregularidades.
Paiva conta que com o primeiro veículo, a negociação com a loja já estava quase fechada, até que ele fez uma exigência que surpreendeu o vendedor. ''Falei: 'pode ser esse valor, mas eu quero que o carro passe por uma vistoria. Se estiver tudo certo eu pago, caso contrário fica por conta de vocês'''.
A perícia acabou identificando irregularidades no motor. ''Não era original de fábrica. Provavelmente foi trocado e poderia ser até mesmo roubado'', declara Paiva.
O comerciante procurou outra loja e fez a mesma exigência. O carro também foi reprovado, mas dessa vez por outro motivo. ''Havia problemas com os chassis de dois vidros e uma porta'', conta.
Uma terceira tentativa e desta vez tudo certo, pelo menos no que diz respeito a possíveis irregularidades de identificação. ''A única coisa que foi descoberta é que o assoalho passou por uma reforma grande. Provavelmente tinha um buraco que foi soldado. Mas como vi que era um serviço bem feito resolvi fechar o negócio. Fora isso, o carro estava perfeito''.
O que aconteceu com Paiva pode ser mais comum do que se imagina. De acordo com o perito Weslley Danciguer, da Terceira Visão Vistorias e Perícias, a empresa realiza mais de 500 vistorias por mês e em cerca de 25% delas são identificadas irregularidades. ''Adulterações de chassi e motor são as mais comuns. No caso dos chassis, por exemplo, já conhecemos os padrões dos números e analisamos se há algo diferente'', afirma.
''Como ele (o chassi) é um código alfanumérico que está impresso em diferentes partes do carro, é fácil reconhecer quando o veículo já foi batido ou tem procedência duvidosa'' ressalta, por meio da assessoria de imprensa, Pedro Celandroni, diretor comercial de outra empresa do setor, a Super Visão Vistorias.
Danciguer explica que em muitos casos a adulteração é feita em um carro roubado, utilizando as numerações de um veículo comprado em leilão. ''São carros comprados em leilão que sofreram grandes avarias ou até perda total e têm seu chassi e identicação de motor adulterados. Eles roubam um outro carro igualzinho e tentam torná-lo 'quente' pela clonagem dos dados daquele outro'', explica o perito.
Em outros casos, os carros de leilão que sofreram graves danos são reformados, mas vendidos a preços de veículos comuns. ''O veículo de leilão que é revendido tem um valor de mercado 20% mais baixo. Só que muita gente reforma e vende sem essa redução de valor. Mas é possível descobrir se aquele carro passou por algum leilão'', ressalta.
Além de descobrir adulterações de identificação e reparos feitos devido a colisões, os peritos que realizam vistorias conseguem levantar indícios de adulteração de quilometragem e até mesmo danos causados por enchentes. ''No caso das enchentes é possível checar a sujeira em alguns compartimentos internos que são impossíveis de lavar'', explica Danciguer.


