AVALIAÇÃO Frontier tem terra no 'sangue'
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domingo, 08 de dezembro de 2002
Mauricio Della Barba 
Não é à tôa que a Nissan escolheu o Paraná para fabricar a Frontier. A picape, tem no seu 'sangue', terra. Isso mesmo. O modelo, avaliado pela Folha Carro & Cia, demonstrou na prática que tem capacidade para enfrentar as situações difíceis, sem prejuízo do conforto interno, principalmente nas estradas de terra que cortam o Estado.
De visual imponente e bastante atraente, a Frontier agrada aos olhos. O desenho - inspirado em uma luva de boxe - deixou o modelo robusto e com ar de esportividade, principalmente na frente, com a tomada de ar sobre o capô e os faróis de lentes transparentes.
Por dentro, a inspiração é a mesma de fora. Os motoristas acostumados com as linhas 'quadradas' das outras picapes, podem se surpreender. O painel de instrumentos, parece como o de um carro esportivo, com o conta-giros, velocímetro e indicadores de serviço do motor divididos em três visores.
No centro do painel, vale destacar o bom gosto dos seletores do sistema de ventilação, modernos e de fácil manuseio. Portas, bancos, console - que agrupa dois úteis porta-objetos embutidos no descança-braço central - e demais itens apresentam um acabamento primoroso para uma picape.
Passando das amenidades do interior para a ação, o motorista sente no pé e nos braços a maior virtude da Frontier. O motor MWM Sprint 2.8 turbodiesel com intercooler (resfriador do ar que sai da turbina) - basicamente o mesmo que equipa a Chevrolet S10 - é valente, graças aos seus 132 cavalos de potência.
No asfalto, a picape voa. Já na terra, seu ambiente natural, ela se transforma em um trator. Seu peso, sua altura e a tração 4x4 estão em sincronia e bem ajustados, o que proporciona eficiência nos piores trechos, sejam eles secos, molhados, com pedras ou de terra solta.
Apesar do serviço bem feito, o maior problema da Frontier está no câmbio. Além de ser mal posicionado, é duro e de engates imprecisos. Na prática, o motorista cansa o braço nas trocas, além de engatar várias vezes marchas erradas. A ativação da tração também deixa a desejar. Assim como na Toyota Hilux e na Mitsubishi L200 a transmissã é feita por uma pequena alavanca manual ao lado do câmbio, também dura, e nada comparável com a facilidade dos ''botões'' da Ranger e da S10.
Quanto a suspensão, o modelo da Nissan oferece conforto sem pular demais. Graças ao sistema de transmissão ''independente'' da cabine, há pouca trepidação e barulho interno. No asfalto, a estabilidade da picape é valorizada em virtude dos pneus largos (265/70 R15). Já nas curvas, a traseira desgarra um pouco - o que é comum na maioria das picapes.
Uma boa idéia é a tampa traseira da caçamba que pode ser trancada com chave (item inexistente nas rivais). Sua capacidade de carga é de 1000 quilos. Detalhes interessantes: o pára-choque traseiro tem superfície anti-derrapante e o vidro traseiro possui desembaçador. Por outro lado, faltam protetores de caçamba, para evitar danos na pintura na hora de transportar cargas.
A Frontier é oferecida em quatro versões: com tração 4x2 ou 4x4 em dois acabamentos (XE e SE). Os preços variam de R$ 56 mil (XE 4x2) até R$ 74 mil (SE 4x4). A versão básica vem de série com direção hidráulica e freios ABS. Já a top de linha traz ainda air bag duplo, alarme, vidros e travas elétricos, ar condicionado, volante de couro e CD Player.


