AVALIAÇÃO Compressor dá 'ânimo' ao Fiesta
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de novembro de 2002
Mauricio Della Barba 
Logo na primeira arrancada já é possível sentir a diferença no novo Fiesta 1.0 Supercharger. A força e a agilidade do motor é capaz de impressionar qualquer motorista acostumado com a lentidão da maioria dos carros equipados com motor de 1.0 litro.
Foi esta a sensação que a reportagem da Folha Carro & Cia obteve durante a avalição do novo modelo da Ford. O compressor adotado no carro - uma novidade no mercado brasileiro - transforma os 65 cv de potência originais do motor Zetec Rocam de 8 válvulas para impressionantes 95 cv, um número próximo ao do motor 1.6 (98 cv).
O melhor de tudo é que pela mesma performance do Fiesta 1.6, o consumidor pode pagar um pouco mais barato pelo carro e ainda economizar no consumo de combustível. O novo Fiesta Supercharger tem preço de tabela de R$ 21.850,00 (básico, sem frete e sem opcionais). É um preço atraente frente à concorrência (veja tabela comparativa).
Outra boa surpresa do compacto da Ford é o seu visual. Nas ruas, o modelo se destaca pela modernidade e recebe elogios diante de sua elegância. Alguns chegam a confundi-lo com o ''irmão'' Focus e com o rival Chevrolet Corsa (já que ambos contam com lanternas traseiras elevadas).
Por dentro, há surpresas e decepções. Diante das linhas atraentes externas, a Ford deixa a desejar no acabamento interno. O design do painel até que é elegante, mas há muito plástico e os comandos são um tanto quanto defasados esteticamente. Os bancos também poderiam ser mais confortáveis e melhor moldados ao corpo.
No painel, os mostradores em fundo cinza prateado acomodam dois visores de cristal líquido, que informam a quilometragem, as horas, o nível de combustível no tanque e a temperatura do motor. São bonitos e atraentes, mas de difícil visualização durante o dia, já que o reflexo do sol impede uma leitura mais legível dos indicadores.
Para quem senta atrás há mais espaço para a cabeça no novo Fiesta. A coluna traseira mais alta deixa os passageiros em posição um pouco mais confortável do que na maioria dos outros concorrentes. Mais largo do que no modelo anterior, o banco traseiro acomoda três passageiros facilmente. A vantagem nas dimensões é clara: o Fiesta é o mais comprido, o mais largo e o mais alto da categoria.
O único item de comodidade de série no Fiesta Supercharger é a direção hidráulica. Vidros, travas, ar condicionado e airbags são opcionais, como na maioria dos seus rivais. Na versão avaliada, completa, os vidros elétricos contam com comandos nas portas - um ponto positivo - mas carecem do dispositivo ''um toque'' que facilita a abertura e o fechamento dos mesmos.
Dirigindo nas ruas, o barulho do compressor indica a valentia do Supercharger. O motor só ''pipoca'' um pouco quando o ar condicionado está ligado. As arrancadas ficam mais difíceis e é preciso acelerar bem antes de sair, caso contrário o carro não anda.
As trocas de marchas, no começo, são esquisitas, já que a manopla do câmbio foi deslocada para a frente e é mais alta do que o tradicional. Porém, depois de um certo tempo de uso, torna-se bastante agradável e precisa.
O Fiesta também é superior em capacidade de bagagem: 305 litros, a maior do segmento, contra 260 do Corsa e 255 do Clio. O porta-malas só pode ser aberto por fora e com chave. Por ter um acabamento superior, o modelo merecia abertura interna comandada pelo motorista.
Conclusão: o Fiesta Supercharger é uma ótima opção para quem quer potência sem ter que gastar muito dinheiro - na hora da compra e na hora de abastecer.
* O veículo avaliado nesta reportagem foi gentilmente cedido pela Ford do Brasil


