AVALIAÇÃO - Visual é o que mais conta no CrossFox
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de junho de 2005
Mauricio Della Barba 
Ele chegou depois do EcoSport e da linha Adventure da Fiat, mas mesmo assim conquistou os brasileiros logo de cara. Afinal, é o visual off-road que garante ao CrossFox os olhares e os elogios nas ruas.
O modelo, que passou pelo crivo da Folha Carro & Cia, agradou, não só pelo design aventureiro, como também pelo conforto ao rodar. De negativo, as observações ficam por conta do preço (um pouco elevado pelo que oferece), pela pequena visibilidade traseira e pelo acesso complicado ao porta-malas.
Em comparação com o EcoSport, seu rival direto no mercado, o CrossFox ganha em dirigibilidade e acabamento, mas perde em espaço, potência e versatilidade. Em termos de preço, o EcoSport 1.6 é mais caro: custa R$ 45.910 na versão básica, apenas com direção hidráulica (veja quadro).
O modelo da Volks é confortável (a posição de dirigir é uma das melhores do segmento) e ágil. O motor 1.6 Total Flex de 103 cv é forte e responde rápido. Ponto positivo para o câmbio que, além de ter engates curtos e fáceis, oferece uma alavanca ergonômica, mais próxima às mãos e que não exige esforço ou alongamentos do motorista na hora das trocas.
O sistema flex funciona muito bem. Com 100% de álcool obteve melhor rendimento, mas sofre na hora da partida a frio - comum a todos os bicombustíveis.
O ponto crucial do CrossFox está em seu ''aparato'' visual. Em relação ao Fox, o modelo de aventura tem 53 mm a mais de altura em relação ao solo, estepe externo (com roda de liga-leve de 15 polegadas), pneus 205, quebra-mato integrado ao pára-choque, rack de teto, faróis de longo alcance, estribos e molduras laterais. Esse kit de 'embelezamento', na verdade, eleva o preço do carro em R$ 6 mil em comparação à um Fox 1.6 Plus, que custa na tabela R$ 34.395.
Porém, o CrossFox - que tem preço inicial de R$ 40.467 - pode ultrapassar facilmente os R$ 50 mil. O modelo avaliado pela Folha, completo, com ar-condicionado, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores elétricos), air bag duplo, freios ABS e CD Player, tem preço médio de R$ 52 mil.
O espaço interno, o acabamento e os equipamentos são bons e são iguais as outras versões do Fox - com exeção dos bancos, de estrutura um pouco mais esportiva e com bordados da ''raposa'' (Fox, em inglês).
O espaço para bagagens, mesmo com o prático banco traseiro corrediço e os 17 17 porta-objetos espalhados pelo carro, é restrito. Ruim mesmo é abrir o porta-malas. A tarefa deve ser feita em três fases: primeiro é necessário destravar o estepe; segundo, é preciso abrir lateralmente toda a alavanca, até o travamento da mesma; em seguida, levanta-se a tampa do porta-malas para cima.
Com sacolas ou compras na mão, a tarefa é impraticável. Se houver um carro estacionado muito perto da traseira do CrossFox, a abertura do porta-malas fica praticamente impossível. Para fechar, é preciso liberar uma pequena trava para soltar a estrutura que sustenta o estepe. O detalhe é que, para fechá-la é preciso bater com força, senão uma pequena luz de alerta fica piscando no painel, indicando que ela está aberta.
Nas ruas, apesar de maior altura, o Crossfox mostra-se firme quando exigido em altas velocidades e preciso nas curvas, mesmo nas mais fechadas. Nas manobras de estacionamento, o vidro traseiro - que já é pequeno - diminui mais ainda com o surgimento do estepe.
Na estrada de terra, o aventureiro da Volks vai bem, passa por buracos e poças d'água sem medo. A presença do estepe é percebível pelo barulho, que não chega a incomodar, mas indica a presença de algo estranho na tampa do porta-malas. Se a intenção é utilizar o carro na lama, desista. Os pneus 205/60 R15 são mais apropriados para o asfalto e, na estrada de terra molhada ou na lama logo perdem a aderência.
Enfim, andar com o CrossFox é algo prazeroso, principalmente na cidade. Para quem acha que o visual não vale o preço, a solução está na versão do Fox normal. Porém, o sucesso nas ruas não será o mesmo...


