AVALIAÇÃO - Gol G4 muda, mas nem tanto
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de novembro de 2005
Mauricio Della Barba 
Gosto não se discute. No caso do Gol, as mudanças estéticas sempre foram alvos de polêmicas. Quando saiu da era 'bolinha' para a Geração III houve gente que reclamou, houve gente que elogiou. Na Geração 4 (G4) este mesmo equilíbrio é encontrado na rua. ''É, não mudou muito'', ''Prefiro a versão anterior'', ''Ficou bonito. A frente lembra a do Passat'', foram alguns dos muitos comentários recebidos em Londrina.
Tecnicamente, o Gol evolui sim. Pode não ter agradado a todos, mas também não ficou feio. Na verdade, o G4 não tem muita coisa de novo. Fora os faróis, a grade, as lanternas, o vidro traseiro e o novo painel, o Gol continua o mesmo de sempre.
Tem como maior trunfo a relação custo/benefício - nas versões 1.0 disputa mercado com o Celta, bem menor - a durabilidade, a facilidade de manutenção e o bom valor de revenda.
Outros pontos positivos de antigamente, como o motor, deixaram de lado a emoção para dar espaço à razão. A versão avaliada pela Folha Carro & Cia foi a top de linha, a Power com motor 1.8 Total Flex. Para quem se lembra da 'garra' e do 'ânimo' do Gol bolinha 1.8 (era da família AP), o novo propulsor deixa a desejar. Não que seja ruim, pelo contrário. Tem mais potência (são 106 cv contra os 98 cv de antigamente), mais torque, tem a versatilidade de poder usar gasolina e/ou álcool e emite menos poluentes na natureza. Mas, na prática, não oferece aquela agilidade nas arrancadas em relação à versão saudosa.
Outro item que não agradou muito na avaliação foi o câmbio. Ponto positivo das outras gerações, o câmbio do Gol G4 tem engates pouco eficientes e nada ergonômico. A manopla fica longe do alcance das mãos.
E por falar em ergonomia, o volante continua deslocado à esquerda em relação ao tronco do motorista. O painel de instrumentos, adotado do Fox, apesar de moderno, oferece uma menor visualização do que o da Geração 3, que tinha iluminação agradável em azul e vermelho.
Fora isso, a sensação de quem vai dentro do carro é boa. O desenho em dois tons do painel passa imagem de espaço. A Volks anuncia que há de 11 a 13 porta-objetos no interior. Há sim, porta-copos e espaços nas portas e entre os bancos traseiros. Mas muitos deles são quase inúteis, como os dois microespaços acima do sistema de áudio. Moedas fazem barulho alí e o celular não cabe. Os dois locais parecem ter 'sobrado', após a marca, felizmente, ter transferido o controle elétrico dos vidros dali para as laterais da porta.
Enfim, como gosto não se discute, as mudanças não alteraram o 'jeito de ser' do velho Gol. Para quem gosta da linha, o Gol G4 é uma simples e boa consequência da idade do projeto, que tem mais de 25 anos.


