Gosto não se discute. No caso do Gol, as mudanças estéticas sempre foram alvos de polêmicas. Quando saiu da era 'bolinha' para a Geração III houve gente que reclamou, houve gente que elogiou. Na Geração 4 (G4) este mesmo equilíbrio é encontrado na rua. ''É, não mudou muito'', ''Prefiro a versão anterior'', ''Ficou bonito. A frente lembra a do Passat'', foram alguns dos muitos comentários recebidos em Londrina.
Tecnicamente, o Gol evolui sim. Pode não ter agradado a todos, mas também não ficou feio. Na verdade, o G4 não tem muita coisa de novo. Fora os faróis, a grade, as lanternas, o vidro traseiro e o novo painel, o Gol continua o mesmo de sempre.
Tem como maior trunfo a relação custo/benefício - nas versões 1.0 disputa mercado com o Celta, bem menor - a durabilidade, a facilidade de manutenção e o bom valor de revenda.
Outros pontos positivos de antigamente, como o motor, deixaram de lado a emoção para dar espaço à razão. A versão avaliada pela Folha Carro & Cia foi a top de linha, a Power com motor 1.8 Total Flex. Para quem se lembra da 'garra' e do 'ânimo' do Gol bolinha 1.8 (era da família AP), o novo propulsor deixa a desejar. Não que seja ruim, pelo contrário. Tem mais potência (são 106 cv contra os 98 cv de antigamente), mais torque, tem a versatilidade de poder usar gasolina e/ou álcool e emite menos poluentes na natureza. Mas, na prática, não oferece aquela agilidade nas arrancadas em relação à versão saudosa.
Outro item que não agradou muito na avaliação foi o câmbio. Ponto positivo das outras gerações, o câmbio do Gol G4 tem engates pouco eficientes e nada ergonômico. A manopla fica longe do alcance das mãos.
E por falar em ergonomia, o volante continua deslocado à esquerda em relação ao tronco do motorista. O painel de instrumentos, adotado do Fox, apesar de moderno, oferece uma menor visualização do que o da Geração 3, que tinha iluminação agradável em azul e vermelho.
Fora isso, a sensação de quem vai dentro do carro é boa. O desenho em dois tons do painel passa imagem de espaço. A Volks anuncia que há de 11 a 13 porta-objetos no interior. Há sim, porta-copos e espaços nas portas e entre os bancos traseiros. Mas muitos deles são quase inúteis, como os dois microespaços acima do sistema de áudio. Moedas fazem barulho alí e o celular não cabe. Os dois locais parecem ter 'sobrado', após a marca, felizmente, ter transferido o controle elétrico dos vidros dali para as laterais da porta.
Enfim, como gosto não se discute, as mudanças não alteraram o 'jeito de ser' do velho Gol. Para quem gosta da linha, o Gol G4 é uma simples e boa consequência da idade do projeto, que tem mais de 25 anos.

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