Fornecedores de suprimentos de peças para veículos estão propondo a dolarização de preços e reajustes de mais de 20%. As montadoras estão tentando negociar com os fabricantes, mas informam que estariam sofrendo pressões como a suspensão de entregas. Segundo empresários do setor, a Volkswagen e a General Motors já têm carros incompletos nos pátios e a Fiat está com estoques reduzidos. As montadoras não quiseram comentar o assunto.
De acordo com um executivo de uma das maiores montadoras do País (que pediu para não ser identificado), os fabricantes de alumínio e as empresas do setor petroquímico já propuseram a dolarização dos preços. Os produtores de polipropileno (usado na produção de peças plásticas, como pára-choques), aço, rodas, motor, pneus e material isolante estão reivindicando aumentos médios de 25%. As empresas alegam principalmente repasse de custos por conta da desvalorização cambial.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) está orientando os associados a negociar o repasse de custos diretamente com as montadoras. Também sugere que o fornecedor repasse para a fabricante a responsabilidade da compra das matérias-primas para a produção dos componentes.
A Sogefi, fabricante de filtros em São Bernardo do Campo, é uma das empresas que está negociando com a indústria automobilística a compra de matérias-primas. A empresa informou ainda que os produtores de tinta, resinas e nylon querem reajustes de 10% a 30%.
Segundo dados do Sindipeças, até os fabricantes de vidro que não foram prejudicados diretamente pela alta do dólar, aumentaram os preços em 14%. O aço não-plano subiu 8,5%.
Enquanto as autopeças negociam reajustes, as montadoras já conseguiram repassar aos preços de tabela reajustes por conta do aumento de impostos e possíveis perdas com a desvalorização do real. Em pouco mais de um mês, foram anunciados quatro reajustes. Só o preço do Gol Special, por exemplo, o modelo mais barato da Volkswagen, subiu 10,49% desde o fim de dezembro.

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