A partir da publicação do Novo Código Brasileiro de Trânsito, as antigas Auto-Escolas foram chamadas a diversas modificações no seu caráter: passaram a ser denominadas ôCentros de Formação de Condutores#, com novos objetivos e competências.
A principal modificação, no que tange a formação dos novos motoristas, trata da obrigatoriedade de um Curso Teórico, com 30 hs. de duração, que aborda os temas Direção Defensiva, Primeiros Socorros, Meio ambiente e Cidadania, Mecânica Básica e Legislação de Trânsito. Também o candidato deve agora fazer 15 horas obrigatórias de Prática Veicular, para que possa se submeter à avaliação prática no Departamento de Trânsito.
A formação de um motorista é, sem dúvida, uma grande responsabilidade, já que a mesma não pode se restringir a transmissão de conhecimentos e informações, mas , face ao quadro atual do nosso Trânsito, principalmente formar e educar, num sentido mais amplo o futuro motorista, prevenindo-o a respeito de problemáticas que envolvem comportamento, relacionamento social e respeito às leis.
Devemos nos perguntar se os Centros de Formação de Condutores conseguem dar conta deste processo educativo e de conscientização que deveria preceder a entrada de novos participantes no nosso Trânsito. Sem dúvida, não podemos esquecer que a principal responsabilidade é da família na formação do indivíduo que irá participar do Trânsito, na orientação quanto a valores e relacionamento social.
Porém, a responsabilidade dos CFC’s é inegável, na figura de seus diretores e instrutores, quanto à formação do motorista que, antes de mais nada é um cidadão, propiciando ao mesmo um modelo de comportamento a ser seguido.
Mas, qual a realidade que observamos hoje? As antigas Auto-Escolas se encontram com muitas dificuldades em assumir o papel de formadoras, que exige serviços que vão além de ensinar os candidatos a passar nos exames do DETRAN. A cultura de ministrar ô macetes# , ôdicas#, alimentar ôfolclores# em torno dos Exames para a Obtenção da Primeira Habilitação já não pode mais ser absorvida pelos clientes.
Os Centros de Formação de Condutores devem se alertar para o fato de que a comunidade em geral já está preocupada com a questão do Trânsito e aquele Centro que oferece uma formação voltada para a consciência, para a responsabilidade social do condutor e não somente oferece a informação a ser decorada, será, com certeza, mais procurado. Já é perceptível uma busca por opções diferenciadas na formação de motoristas e os CFC’s deveriam se preocupar mais com o oferecimento de serviços de qualidade, onde deve ser abordada não só a aprendizagem mecânica mas, especialmente a importância do correto comportamento social, a formação da consciência de Trânsito, a responsabilidade social de cada um dos participantes do mesmo, os comportamentos seguros, a percepção de risco, etc.
A exploração destes temas não pode ser feita somente através de aulas expositivas, mas com técnicas que levem o candidato à reflexão e a adequação do seu comportamento ao que o nosso Trânsito cada vez mais exige - educação, gentileza, senso comunitário, responsabilidade, segurança, etc.
A comunidade em geral, os pais de adolescentes, deveriam se preocupar com a formação para o Trânsito como se preocupam com o Vestibular: escolher o melhor curso preparatório, o que aprova mais, o que tem professores mais capacitados, o que propicia mais segurança aos alunos, o que tem sua seriedade reconhecida pela comunidade. Os CFC’s devem ser escolhidos não só pelos serviços que oferecem em termos de formação de Primeira Habilitação, mas também pelo seu comprometimento com a questão do Trânsito. CFC’s que oferecem vários serviços, que têm em seu quadro Especialistas em Trânsito, que reciclam seus funcionários, que se preocupam com a qualidade dos seus serviços já deram alguns passos em relação a grande maioria, na direção de sua mais importante missão : a de fazer um Trânsito melhor.
[email protected]

mockup