Levantamento recente aponta que um em cada cinco brasileiros já tem automóvel na garagem. Nos últimos anos, com a melhora da economia, mais pessoas têm acesso à compra de um veículo. Várias cidades apresentam índices similares aos de países desenvolvidos, como Alemanha e Estados Unidos, onde a média é de menos de dois habitantes por veículo.
O mais recente estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) mostra que, no ano passado, a frota brasileira cresceu 7% em relação a 2010. Cinco Estados, entre eles o Paraná abrigam 70% desse total de veículos.
A população atual do Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de pouco mais de 10,2 milhões de habitantes; e o levantamento anual do Departamento de Trânsito (Detran-PR), com dados de 2011, confirma que a frota de veículos paranaense é superior a 5,4 milhões. Os dados mostram que a média estadual está acima da nacional.
Para Marcos Traad, diretor geral do Detran-PR, esses números são interessantes principalmente pela representatividade que tem a indústria automobilística para a economia do País. ''Esse é um setor que contribui muito com os impostos e a geração de empregos'', afirma.
Apesar da visão positiva, ele faz algumas ressalvas quanto ao aumento massivo dos automóveis nas ruas. ''O trânsito ficará cada vez mais complicado. Para que os motoristas não sintam essas dificuldades, os responsáveis pelo planejamento urbano nas cidades vão precisar montar esse quebra-cabeça'', analisa.
Traad avalia também que é preciso investir cada vez mais no preparo dos motoristas. ''Algumas cidades já estão se planejando e o Detran tem procurado autoescolas e fiscalizado, visando uma melhor formação dos motoristas. Essas são medidas que podem contribuir com o trânsito mesmo com o aumento dos carros'', diz.
A presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Regina Nabhan, atesta que criar maneiras para dar à cidade maior mobilidade é mesmo um desafio. Ela garante que vários projetos estão sendo estudados para tornar isso possível. Um deles diz respeito à ampliação das ciclovias no município, o que faria a população trocar seus carros por bicicletas.
Para Regina, a mudança de comportamento dos cidadãos é a grande ''arma'' para um trânsito melhor. ''É preciso que se use mais as ciclovias e o transporte público. Outra saída são as caronas solidárias, que ajudam não só o trânsito, mas também o meio ambiente'', afirma.
A presidente do Ippul destaca também que a implantação das faixas exclusivas para ônibus, na cidade, reduziram as viagens de transporte coletivo em 15 minutos.
RECORDES
O número de veículos em circulação no País cresce em ritmo muito superior ao da população. Desde 2004, quando a economia livrou-se da hiperinflação, a frota aumentou 54,8%, atingindo 34,856 milhões de veículos em 2011. No mesmo período, a população, estimada em 192,3 milhões de pessoas, cresceu 5,7%.
A indústria automobilística vem superando recordes desde 2004, quando vendeu 1,5 milhão de veículos. No ano passado, atingiu 3,6 milhões e este ano projeta vender 4% a 5% mais. Com transporte público ineficiente, mais pessoas saem de casa todos os dias com seus automóveis, o que provoca congestionamentos constantes.
A frota brasileira também está se rejuvenescendo, embora em ritmo lento. A idade média dos veículos que circulam pelo País é de 8 anos e 8 meses, próxima à das frotas da Alemanha (8 anos e 1 mês) e França (8 anos e 2 meses) e mais nova que a dos EUA (10 a 11 anos).
Os números são do Sindipeças. A pesquisa envolve montadoras, órgãos de trânsito e seguradoras. É usada para direcionar a produção de autopeças para o mercado de reposição. (Com Agência Estado)

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