O Brasil se transformou num centro de desenvolvimento de ônibus a gás para a Mercedes-Benz, a primeira montadora a produzir este tipo de veículo. Com a entrega de mais 25 veículos movidos com esse combustível esta semana, em São Paulo, a empresa entrou numa nova fase do programa, que prevê a entrega de 600 unidades até o final deste ano e 2 mil por ano a partir da virada do século.
São Paulo representa o mercado prioritário para a montadora em razão da lei municipal número 12.140, que exige a substituição gradual da frota. Aprovada em 1996, a legislação estabeleceu a obrigatoriedade de cada empresa trocar 5% da frota a diesel por gás por ano nos primeiros dois anos e 10% anualmente nos anos seguintes. A frota paulista de ônibus a gás é formada por 189 veículos.
Os estudos de alternativas ao óleo diesel foram iniciados em 1977. A Mercedes começou a desenvolver a tecnologia em 1978 e em 1988 iniciou a comercialização dos ônibus movidos a gás. Segundo o diretor de vendas da empresa, Roberto Bógus, hoje a subsidiária brasileira já concentra a tecnologia dos motores movidos com esse combustível. A Mercedes-Benz do Brasil exporta 500 motores a gás por ano para a sua matriz, na Alemanha, segundo o presidente da empresa, Ben van Schaik.
Para atender ao crescimento da demanda em São Paulo, a montadora instalou uma linha especial do chassi em sua fábrica, em São Bernardo do Campo. A expectativa é que outras cidades comecem a se interessar pelo produto. O maior problema ainda é o preço. Um ônibus a gás custa 40% mais do que o tradicional, a diesel. Mas, segundo Bógus, o desempenho é muito superior.

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