Associação de importadores de veículos critica benefício do IPI para carros flex
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 2009
Michelly Teixeira<br> Agência Estado 
São Paulo - A Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) encarou como uma ''violação mercadológica'' ao comércio de importados a prorrogação do IPI reduzido para os carros flex.
Das 17 associadas à entidade - BMW, Chana, Chrysler, Dodge, Effa Motors, Hafei Motor, Jaguar, Jeep, Jinbei, Kia Motors, Land Rover, Pagani, Porsche, Spyker, SsangYong, Suzuki e Volvo -, 13 importadoras possuem carros com motorização até 2.0 a gasolina e 4 operam no País com veículos de motorização 1.0 a gasolina.
''Em princípio, o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, havia dito que o benefício do IPI deveria incentivar os chamados carros verdes, de modo a estimular a indústria e a importadora a comercializar veículos menos poluentes'', afirmou, em nota, Jörg Dornbusch, presidente da Abeiva.
''Várias empresas associadas à Abeiva possuem carros considerados 'verdes', mesmo movidos à gasolina. Além disso, não está comprovado que aqueles movidos a etanol são os menos poluentes'', acrescentou.
Na avaliação de Dornbusch, a medida não-tarifária impõe aos carros importados até 2.0 perda de competitividade, em especial aqueles da categoria compacto (motor de 1.0), em benefício dos veículos nacionais. ''Lembro ainda que a alíquota de importação de 35% já se configura como uma proteção à indústria local.''
Fôlego
Para os analistas de mercado, a prorrogação do desconto do IPI para carros flex com motor 1.0 dará fôlego às vendas do setor automotivo, já que estes veículos representam quase 90% dos licenciamentos feitos no Brasil. Contudo, seus efeitos no mercado de automóveis serão mais fortes em 2010.
Para o diretor de Vendas da Jato Dynamics do Brasil, Luiz Carlos Augusto, o efeito imediato da medida é estancar a ''surpreendente'' queda nas vendas em novembro.
Para Augusto, a julgar pela queda das vendas na primeira quinzena de novembro, o mercado venderia cerca de 220 mil veículos no mês fechado, bem abaixo das 297 mil unidades de setembro e dos 281 mil veículos de outubro.
''O anúncio do governo vai ajudar a vender mais carros e, assim, conter a queda. Mas essa é uma medida muito mais política do que financeira'', observou o executivo da Jato Dynamics, para quem as vendas em 2009 alcançarão a marca de 3,1 milhões de unidades.
Dados compilados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que os emplacamentos de veículos novos no mercado brasileiro somaram 130.601 unidades na primeira quinzena de novembro, baixa de 19,56% no confronto com os primeiros 15 dias de outubro deste ano. Na comparação com igual intervalo de 2008, no entanto, vê-se uma alta de 35,59%.


