Associação critica a importadora Sundown
Franklin de Mello Neto, gerente-executivo da Abraciclo, a associação brasileira dos fabricantes de veículos de duas rodas, diz que a Sundown conseguiu crescer graças a práticas desonestas de mercado.
Em 1995, a alíquota de importação de bicicletas era de 35%; já a de peças, era 16%. Mello Neto afirma que, para se beneficiar da diferença, a Sundown importava as bicicletas desmontadas, que depois eram remontadas na fábrica.
O gerente-executivo da Abraciclo acusa ainda a Sundown de contrabando.
Mello Neto se baseia em inquérito da Polícia Federal. Em julho de 97, a PF apreendeu 82 contêineres com peças de bicicletas no porto de Paranaguá (PR). Apenas 8% da mercadoria foi declarada à Receita, diz o delegado da PF José Augusto Mello Chueire, que avalia em R$ 15 milhões o valor das peças.
Segundo Chueire, a mercadoria de 16 contêineres foi importada em nome da Sundown. O restante, em nome da empresa Santa Edwiges. Essa empresa é fantasma, diz Chueire.
Isidoro Rozenblum, fundador da Sundown, diz que havia uma programação de embarque das peças. Porém, por falha de comunicação, o exportador teria embarcado toda a mercadoria de uma única vez. Nós pagamos os impostos não declarados e o caso agora está com os nossos advogados, afirma ele.
Para enfrentar a concorrência dos importados, a Abraciclo informa que a indústria nacional, incluindo os fabricantes de peças, investiu US$ 80 milhões a partir de 1993 na modernização de equipamentos e no lançamento de produtos.
A Agência Folha tentou ouvir a Caloi e a Monark sobre estratégias de mercado e o crescimento da Sundown. Nenhuma das duas empresas se pronunciou.





