APRENDENDO A VOAR - No céu, o trabalho pode ser promissor
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sábado, 01 de outubro de 2005
Rodrigo Neppel<br> Reportagem Local 
Aventura, status, imprevisibilidade, dinheiro. Muitos são os motivos que levam a escolha pela carreira de piloto. Mas para não terminar como Ícaro personagem da mitologia grega que morre depois de ter suas asas derretidas pelo Sol , os interessados passam por uma rotina intensa em cursos preparatórios até poder voar comercialmente.
Em Londrina, duas escolas oferecem turmas na área. Uma delas está instalada no Aeroclube, onde o primeiro passo é fazer aulas de piloto privado. Nele, os alunos se habilitam a voar em aviões particulares, mas não é considerado profissionalizante.
Depois de passar por todas as etapas iniciais, os interessados tornam-se aptos a entrar para o curso de piloto comercial propriamente dito. Depois de completadas todas as atividades, que são realizadas obedecendo regulamentos do Departamento de Aviação Comercial (DAC), o aluno pode participar de exame para obtenção de Certificado de Conhecimento Teórico (CCT).
De acordo com o instrutor de vôo Marcelo Feldmann, 24, os cursos funcionam seguindo normas rígidas. ''A segurança é nossa maior preocupação'', completa. Segundo ele, o Aeroclube trabalha em acordo operacional com a Infraero, o qual permite que os alunos tenham, até certo ponto, prioridade na utilização do espaço aéreo.
Os preços cobrados variam de acordo com o nível do curso. Para participar da parte teórica, por exemplo, é necessário desembolsar entre R$ 840 e R$ 900 valores que podem ser parcelados pelos alunos , além do material didático.
Mas para conseguir as habilitações, também é necessário passar por aulas práticas. Para piloto privado, são exigidas 35 horas de vôo, enquanto no comercial o número aumenta para 150. Em Londrina, cada hora no céu custa de R$ 210 e R$ 270. Desta forma, para se tornar um piloto, o custo total, em média, começa em R$ 8 mil (privado) e pode ultrapassar os R$ 30 mil (comercial).
Esse limite é apenas o exigido por Lei para conseguir o ''brevê®MDBO¯®MDNM¯''. O instrutor explica que quem deseja entrar efetivamente nesse mercado de trabalho precisa ter no mínimo 1,5 mil horas de experiência. ''Isso é o que exige as empresas comerciais. Mas o requisito muda para mais ou para menos, dependendo do mercado. Certas companhias exigem, inclusive, idade máxima de 35 anos'', completa.
Muitos alunos utilizam artifícios diversos para conseguir alcançar o limite exigido pela legislação de horas-aula. ''Alguns fazem curso de instrutor para, enquanto trabalha, acumular horas. Outra opção adotada é fazer a parte prática em aeronaves particulares de amigos'', afirma Feldmann.
Em Londrina, há cinco anos, a Universidade Norte do Paraná (Unopar) oferece graduação na área de Ciências Aeronáuticas. As atividades duram três anos somente a parte teórica. Para se habilitar na profissão, o aluno deve participar de aulas práticas, que não são realizadas na instituição.
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Para o pecuarista Antônio Carlos H. Coelho, 43, a paixão em voar é o que o motiva a percorrer, a cada fim-de-semana, cerca de 440Km, entre Presidente Prudente, a cidade natal dele, e Londrina, para materializar um sonho antigo. ''Tenho um amor muito grande pela aviação e não tive a chance de realizar esse sonho antes. Estou aproveitando a oportunidade para aprender a voar'', completa.
Coelho acredita que todo o esforço está valendo à pena. ''Sem dúvida o curso é muito bom. Os professores são bem preparados. Minha única dificuldade é conciliar o estudo com o trabalho'', explica.


