O começo do ano é sempre um período de maior probabilidade para acontecer fortes temporais. As chamadas "chuvas de verão" geralmente são rápidas e com alto índice pluviométrico, aumentando as chances de formação de pontos de alagamento nas grandes cidades. Mas o que fazer quando se está dirigindo durante uma situação dessas? De acordo com o mecânico Osvaldo Mendes, é preciso seguir algumas dicas que podem evitar estragos mais sérios no automóvel.
Se você está trafegando por uma rua que alagou e precisa mesmo seguir, a primeira providência é avaliar a profundidade da água. "O ideal é aguardar que um veículo maior, como um caminhão, ônibus ou até uma caminhonete, atravesse aquele trecho. A partir daí dá para avaliar se é possível encarar ou não", sugere.
Segundo Mendes, o nível máximo recomendado para a travessia é a metade da roda. "O duto de entrada de ar dos carros fica, quase sempre, na altura dos faróis, atrás da grade da frente. Se a água entrar por ali, vai direto para o motor, causando um prejuízo muito grande", explica. Outra observação: trafegue devagar, para evitar a criação de ondas permitindo que a água alcance áreas mais altas do carro. Ré, jamais. "Senão a água entra no motor pelo escapamento", alerta.
Para entender qual o impacto causado pela água no motor de um veículo, Mendes explica como o equipamento funciona. "Existe uma compressão de combustível e ar. Quando a vela libera a faísca gera a combustão. Se a água entrar no cilindro e ocupar o lugar do ar, o pistão não consegue comprimir, provocando o que a gente chama de calço hidráulico, que é altamente lesivo", destaca. Se for preciso retificar o motor por causa do problema, os custos podem superar os R$ 5 mil, dependendo do modelo do veículo.
Portanto, se existir o risco de a água alcançar um nível acima dos faróis, o indicado é desligar o motor. "E se o carro ‘morrer’ durante a travessia, não dê partida", recomenda Mendes, já que escapando do calço hidráulico, a manutenção pode ser mais simples e também mais barata. "Geralmente é necessária uma limpeza interna do motor, além de trocar o filtro de ar e o óleo do motor e avaliar se houve algum outro item danificado, como rolamentos, freios e radiador", enumera.
Além dos cuidados com o motor, a limpeza interna completa é fundamental para evitar mau cheiro e pontos de ferrugem. "A indicação é retirar todos os bancos e remover o carpete, para a troca da forração que fica sob ele", conta Mendes. A espuma dos bancos precisa passar por uma lavagem e secagem adequadas. Assoalho e porta-malas também devem ser checados. "Se tiver algum local com risco de ferrugem, é aconselhado um reparo para o problema não agravar."
Mas os serviços só devem ser executados após uma avaliação de que o conserto é realmente possível. "Tem de analisar o que foi afetado pelo alagamento. Se a água alcança os sistemas elétricos e eletrônicos do veículo, a recuperação é muito complicada por causa da umidade nos conjuntos, que tendem a oxidar e formar o zinabre, o que impede o funcionamento normal", explica. Nesse caso, há a perda total do veículo. Portanto, se você costuma trafegar por cidades que têm risco de alagamentos e seu carro possui seguro, confira com o corretor se sua apólice inclui cobertura para danos causados por enchentes.

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